O homem corpulento se ergueu com um olhar feroz no rosto, suas bochechas rechonchudas tremendo como ondulações na água, lançando um olhar de soslaio para o jovem que surgiu do nada.
Com raiva por ter sido interrompido, zombou: “Seu moleque, está tentando ser um príncipe encantado? Antes de se meter, olhe para si mesmo. Gastei dinheiro, então, se ela quer ficar comigo ou não, não é da sua conta. Não estou fazendo caridade.”
O noivo de Fernanda virou-se para encarar a jovem, trêmula e cujos olhos perdiam o brilho. “Quanto?”
Linda bateu os dentes enquanto baixava a cabeça, a garganta seca ao pronunciar: “Cinquenta mil.”
Era uma vez uma jovem rica e nobre, cercada por pessoas que a adoravam, que nunca precisou se preocupar com dinheiro e podia gastá-lo com o que quisesse, mas que, agora, precisava vender o próprio corpo para tê-lo e, no fim, o príncipe encantado que surgia para salvá-la era a última pessoa que queria ver.
Sua queda, sua devassidão, eram visíveis, mas, como assim Christopher?
Linda permaneceu em silêncio, seus olhos vermelhos, incapaz de levantar a cabeça para olhar para o homem ao seu lado.
Era notável na escola, tirava boas notas e pertencia a uma boa família. Viu o dono daquele rosto bonito e que brilhava intensamente pela primeira vez em um banquete, cercado por admiradores.
Seguiu os passos do rapaz do ensino médio à faculdade. Ciente de que gostava de Fernanda, ficou amiga dela apenas para ficar mais perto dele. Em suas fantasias, ele corresponderia ao seu amor, então ficariam juntos e seriam invejados por todos.
Gostou dele e o admirou em segredo durante muito tempo. Mas, naquele momento, o fio daqueles sentimentos se rompeu e seu amor se transformou em cinzas.
“Cinquenta mil não é nada. Te dou cem mil.” Christopher franziu a testa e um arrepio cruzou seus olhos, escaneando o homem corpulento. “Há cem mil neste cartão, pegue o dinheiro e suma!”
O homem olhou para o cartão. Não esperava generosidade.
“Ei, quem é esse cara? Olhe só, gastando uma fortuna numa garota.”
Seu salvador puxou-a, e estava prestes a sair quando se virou para dizer com indiferença: “Sou Christopher Sanders. Não volte a vê-la, fique longe dela!”
Com isso, saiu do bar arrastando-a sem olhar para trás.
Naquele clima de dezembro, o vento estava tão frio que congelava os ossos, mas o bar estava quente. Linda vestia roupas leves demais e tremia de frio, o rosto pálido.
Com um suspiro, Christopher tirou seu casaco e o colocou nela. Ainda carregava seu calor. A garota baixou a cabeça, mas seus dedos agarraram o casaco com avidez.
Ele falou: “Você não pertence a um lugar como este. Não volte aqui.”
Embora o dono do bar fosse alguém poderoso e a maioria dos clientes não se atrevesse a causar problemas ali, ainda assim havia muitos suspeitos lá dentro. Se decidissem colocar os olhos em alguém, as consequências eram inimagináveis.
No fim das contas, tinham sido colegas de classe, e Linda ainda era amiga de sua noiva, então não queria vê-la seguir por um caminho irreparável.
Linda havia perdido muito peso, e seu rosto antes redondo agora estava marcado pela magreza, fazendo os olhos parecerem ainda maiores; parecia que iria tombar ao menor sopro.
Ela apertou o casaco contra o corpo, uma leve tristeza em seu rosto.
Não queria ter vindo, mas estavam forçando-a a pagar uma dívida que não era sua, a mãe estava doente, e os cobradores de dívidas foram ao hospital e as ameaçaram. Assim, a administração do hospital sugeriu transferir a mulher para outro várias vezes.
Havia abandonado os estudos e, com uma ficha criminal, nenhuma empresa estava disposta a contratá-la.

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