Jonathan a estava levando para a faculdade nos últimos dias, pois temia que alguém pudesse atacá-la. Mas agora Kaique estava preso. Ela, por sua vez, se sentia estranhamente satisfeita.
Depois de terminarem às pressas o café da manhã, enquanto se preparavam para sair, Ângela notou uma chamada perdida de James em seu telefone.
Não esperava que ligasse tão cedo.
“James está ligando”, disse, e acenou com o telefone na frente de Jonathan.
“Não precisa atender se não quiser”, observou ele.
Depois de pensar um pouco, ela respondeu: “Tudo bem.”
Então silenciou o telefone por enquanto.
Não queria atender porque era muito cedo, e não queria que isso interferisse em seu tempo com Jonathan.
James não valia a pena.
Estava pensando em conversar com o irmão, mas estava esperando até que não estivesse ocupada e queria se resolver com seus sentimentos.
Um dos guarda-costas estava dirigindo; o casal se sentava no banco de trás, de mãos dadas.
Percebendo que as aulas de Ângela estava chegando ao fim, perguntou: “É hora da avaliação final?”
Ela assentiu. “Sim.”
Havia mencionado a data para ele antes, então a pergunta não a surpreendeu.
“Ainda nos arredores de Northland?”
“Sim, partimos amanhã e a avaliação durará dois dias.”
“Vou acompanhá-la desta vez.”
Ângela olhou-o surpresa, mas lembrou-se de ele ter dito que iria deixar a filial de Northland para Sérgio, então abriu um sorriso e concordou.
Também não queria ficar longe dele.
Embora o estado de saúde de Jonathan não tivesse se agravado, deixá-lo ainda a deixava desconfortável.
Logo, o carro parou nos portões da universidade.
Ângela saiu do carro e se despediu antes de perceber que as ligações de seu irmão continuavam chegando.
Já havia ligado três vezes durante o pequeno trajeto.
Ela observou o carro se afastar antes de atender. “Quem é?”
Embora Jonathan tivesse dito que já havia negado a tentativa de James de usar seus laços para ganhar a simpatia dele na noite passada, ainda se sentia inquieta.
Queria que o irmão entendesse que cortara o relacionamento com a família.
Se tivesse energia para lidar com eles, também teria acertado as contas de suas vidas passadas.
Mas, por enquanto, as coisas estavam bem. A outrora respeitável família Kins havia desmoronado, e ela não se importou em vê-la desmoronar ainda mais.
Além disso, vê-los sofrer trazia um pouco de alívio ao estresse.
No que quer que estivesse pensando, ficou em silêncio depois de fazer a pergunta.
Do outro lado da linha, James soltou um suspiro aliviado ao ouvir sua voz.
“Sou eu, Ângela, seu irmão”, murmurou, tentando transmitir uma ternura que nunca havia mostrado a ela antes.
Mas a garota não podia suportar aquilo, deixou-a enjoada.
“Hã? Deve ter discado o número errado, não tenho irmãos”, disse, interrompendo-o antes que ele pudesse dizer mais, e desligou sem dar-lhe uma chance de reagir.
Depois de desligar, continuou seu caminho até a sala, animada.
James congelou ao ouvir o som de ocupado do outro lado da linha.
Todo o seu corpo ficou tenso, incluindo sua expressão.
Nunca imaginou que ela desligaria na cara dele assim, e suas palavras soaram como as do marido dela ontem à noite!
Ela é muito atrevida!

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