James olhou para o rapaz deitado e fraco na cama do hospital, o rosto sem cor e a tensão gravada em suas feições. “Senta”, disse-lhe, controlando um sorriso fraco.
Ele estendeu o braço frágil debaixo do cobertor e bateu de leve na beira da cama duas vezes.
Mesmo que houvesse cadeiras ali, Zacarias tinha a sensação de que o que quer que seu irmão estivesse prestes a dizer poderia não ser fácil de ouvir. Então decidiu mostrar um pouco de vulnerabilidade de antemão.
James suspirou enquanto observava a pele pálida e o sorriso tenso estampado em seu rosto. Parte de sua frustração se foi e ele se acomodou na beira da cama.
“Ainda estamos em busca de um doador”, disse devagar, seu olhar fixo no rosto de Zacarias.
Tinha um palpite e viu isso como uma chance de sondar um pouco mais.
O irmão mais novo baixou os olhos. “Certo. Alguma atualização?”
Na verdade, não estava otimista com os esforços dele e de Jonas. Era como encontrar uma agulha no palheiro, mas estavam ficando sem opções.
Que pessoa sã desistiria de bom grado de um órgão tão vital como um rim? Era por esse motivo que a maioria dos órgãos eram doados postumamente.
Porém, mesmo depois de excluir várias circunstâncias, o número de rins saudáveis era bastante limitado.
E para completar, quantas pessoas já estavam na fila, esperando por uma chance de conseguir um rim? Não era necessário verificar, mas sabiam que não era um número pequeno.
Zacarias suspirou suavemente e James permaneceu em silêncio, permitindo que o silêncio pesado perpetuasse. Depois de um tempo, o mais novo olhou para cima e perguntou: “O que devemos fazer já que Ângela não te atende?”
Ele mudou de assunto, pois não queria que o irmão pensasse demais sobre a questão da doação. Estava determinado a fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para ajudar Fernanda.
James fez que não com a cabeça. “Não há nada que possamos fazer. Ela deve estar na faculdade agora. Tentarei de novo durante o almoço.”
Zacarias disse: “Acho que já posso receber alta. Pode falar com a mamãe sobre isso?”
Queria sair dali o mais rápido possível e, em seguida, evitar que sua mãe levasse Fernanda para outro hospital para realizar o transplante.
Já havia falado a respeito com sua mãe, que recusou. Ciente de que sua decisão não mudaria, principalmente com seus recorrentes problemas de saúde, decidiu não a pressionar. E apesar da luta constante que travava com sua saúde, esforçou-se nos últimos dias a fim de parecer melhor e de esconder quaisquer desconfortos. Embora não estivesse muito melhor, pelo menos foi capaz de fingir que sim.
Em vez de responder à pergunta, porém, James questionou: “Está pensando em doar seu rim para Fernanda?”
Quando perguntou, as coisas ficaram mais claras. Não podia impedi-lo de agir, mas precisava encontrar uma maneira de monitorar suas intenções.
Zacarias não tinha certeza de como responder.
Devo negar? Mas não queria mentir.
Ele optou por um sorriso tenso e disse: “Você não viu o resultado do teste de compatibilidade? Não deu em nada.”
Jonas talvez tivesse informado ao irmão mais velhos o resultado do teste, mas também podia ter ocultado essa informação.
“Que bom que entende”, assentiu ao dar tapinhas gentis na mão do rapaz.
O gesto de afeto não o incomodou e ele falou: “Não aguento mais ficar aqui. Quero sair daqui e conhecer a cidade. Não tive a chance de explorá-la desde que cheguei.”
James precisou de um momento para absorver suas palavras.
Zacarias prosseguiu: “Por favor, convença a mãe.”
O mais velho estudou-o um pouco e justo quando o rapaz pensou que ele se recusaria, ouviu-o responder: “Uhum.”
Surpresa cruzou o rosto pálido dele, mas foi substituído por gratidão: “Obrigado. Garanto que vou tomar cuidado quando receber alta.”
O outro suspirou conformado. “Vou trocar uma ideia com ela, mas não prometo nada.”
Graças à saúde tão frágil dele, sua mãe insistia em mantê-lo no hospital.
Mas ao considerar que Zacarias ainda pensava no transplante, convencê-la a tirá-lo dali e ter uma conversa franca a respeito seria melhor.

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