O rosto de Brenda se contorcia de raiva e suas emoções transbordavam em forma de ataque desesperado: “Que filha ingrata! Encontrou um homem e esqueceu da própria mãe? Não sou sua mãe de verdade? É assim que me retribui?”
Nunca se importou muito em manter as aparências, então um acesso de raiva lhe era natural. A contenção ou a polidez eram irrelevantes.
Já Fernanda, por outro lado, não conseguia encarar a genitora nos olhos enquanto os insultos choviam.
Se estivessem apenas as duas, talvez conseguisse articular algumas respostas. Mas, com Christopher presente, precisava manter a postura de dama. Como poderia arriscar manchar a imagem diante dele?
Assim, suportou o abuso verbal em silêncio, a humilhação crescendo a cada palavra.
Finalmente, o noivo não conseguiu mais tolerar a vulgaridade e exclamou: “Chega!”
E a velha se calou.
Embora soubesse que ele tinha sua parcela de culpa no atual sofrimento, um dia de confinamento lhe deu alguma clareza. Agora entendia que aquele jovem não era alguém para se desafiar.
“Sra. Brenda, vai me dizer?” Foi direto ao ponto.
Ao ouvir o cortês tratamento de ‘Sra’ que lhe foi dirigido, sentiu-se calorosa e adotou um tom amigável: “Chris, não é que eu esteja escondendo algo de você, mas minha casa está uma grande bagunça. Mesmo que viesse, não encontraria o documento.”
Franzia a testa: “O que isso quer dizer?”
Não acreditava em uma palavra daquela baboseira. Se tivesse o endereço, sem dúvida encontraria o registro domiciliar da companheira.
Era claro como o dia que ela estava fugindo da pergunta!
Não pôde deixar de rir ao lembrar como a velha inicialmente pensou que estavam ali para tirá-la da prisão.
Mesmo que precisasse garantir um casamento tranquilo com Fernanda, não havia como deixar Brenda escapar. Sua aparição significava desastre, seja causando tumulto ou humilhando-o diante dos convidados!
Nem mesmo reconheceu a mãe biológica da noiva de primeira, muito menos considerou a ideia dela aparecer no dia do casamento!
A idosa sorriu de forma muito sutil. O sorriso não condizia totalmente com sua expressão, tornando seu rosto uma visão bastante desconfortável.
“Chris, tenho apenas um pedido, e é que me tire daqui”, sussurrou, portando o estranho riso.
A expressão do jovem se escureceu.
“Sra Brenda, você cometeu erros. Não se fixe em sair daqui. Concentre-se em se reformar por dentro”, ele afirmou firmemente.
A jovem sentiu uma onda de alívio ao saber que libertá-la não fazia parte dos planos do noivo.
Também compartilhava o desejo por distância daquela mulher.
Apesar de não ter tido muitas interações com a mãe biológica, Fernanda já pôde perceber em seus encontros passados ser ela alguém que sempre ultrapassou limites e que nunca estava satisfeita.
Se estivesse fora das grades, a filha sempre seria seu alvo principal.
Ao contemplar a perturbação de sua futura vida opulenta numa família rica, desejou que Brenda nunca mais saísse de trás das grades.

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