— Eu, assumir a presidência da classe?
Tainá pareceu hesitante, a sobrancelha levemente erguida. — Tenho uma rotina incrivelmente cheia. Praticamente todos os meus finais de tarde já possuem os cronogramas totalmente selados; os engajamentos da turma seriam seriamente comprometidos em minhas mãos.
Seu cérebro repuxou a lembrança de que Henrique Alves portava o bastão da liderança outrora, o que elucidava a imensa diligência de Fábio ao cruzar a vida histórica do grupo antes de propor aquilo.
— Isso é meramente um contratempo vazio — rebateu suavemente o tutor, com serenidade. — Os braços do seu vice se ramificarão encarregados de matérias secundárias. Eu delego a você somente as funções essenciais de coordenação.
A brilhante percepção de Fábio se estendia ao mundo do show business: o dom avassalador de sua pupila ressoava através da nação; logo, responsabilidades monumentais eram de se esperar.
— Muito bem, então. — Tainá fez um aceno afirmativo, em submissão resignada.
A modernidade digital e a era da internet eliminavam a rigidez arcaica dos murais colados, substituindo longas prosas por meros toques informativos virtuais num simples aplicativo.
— Já que você abriu a cartela do relógio... Para diluir as fardas maçantes, Ana, sua admirável colega de banco, pode compartilhar esse fardo em prol do vice-reinado desta divisão.
— Eu... de jeito nenhum, eu não conseguiria — Ana rechaçou a ideia veementemente, suas mãos gesticulando quase em pânico.
— O senhor carece da imagem integral. A nossa Ana transborda de engajamentos laborais em tempo extra e não teria capacidade material para aliviar minha balança — pontuou Tainá.
— Uma atividade extracurricular intensa no alvorecer do colegial? — O maxilar de Fábio travou-se momentaneamente, atônito com a revelação.
— Diria que esta excepcionalidade de rotina só agracia especificamente nós duas entre este salão inteiro. — Tainá correu os olhos com astúcia pela multidão atenta. — Luna, a coroa de tenente é perfeita para alguém da sua estirpe.
A psique da Luna transbordava de uma extroversão enérgica e habilidades logísticas invejáveis, fazendo de sua pessoa a moldura divina para a tarefa.
Somado a isso, carregar a alcunha diplomática amadureceria exponencialmente seu intelecto e pavimentaria seu alicerce maduro.
A engrenagem prosseguiu, e o clímax da exibição matemática iniciou-se. Mas, como o som cortante do papel a roçar o ar ecoava pelo púlpito, os longos braços da garota mimada perfuraram a imensidão superior da classe.
— Um pequeno desvio na ordem do dia, por obséquio. Onde afundou-se a digníssima Rita? — exigiu Laura.
Levara um suor extenuante criar elos harmoniosos com a educadora caçadora de fortunas, reestruturar todo esse trabalho num novo mestre soava como um inferno que ela recusava a atravessar.
— Como premissa, essa tal de Rita é um ser humano invisível em meu leque de conhecidos.
— Ademais, informo e alerto, isso é o templo da instrução. Preze por não roubar o tempo áureo das massas buscando lixos irrelevantes.
Sua voz tornou-se gélida. — Ah... Deixe-me adivinhar, senhorita Laura Torres. A propósito de sua existência, venho comunicar algo: cinquenta tentos do seu esforço em Literatura foram reduzidos a pó; tal ato configura o castigo corretivo do colégio sobre si. Busque a sala dos Coordenadores se algo soar opaco aos seus ouvidos.
— A razão de tamanho despautério? — inquiriu a fidalga da família, exalando fúria contida pela frieza cortante das feições de porcelana.

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