— Martim Torres! Você não confia na sua própria filha e prefere acreditar em estranhos? — Viviane esbravejou, defendendo Laura com unhas e dentes.
— É como dizem: uma mãe excessivamente permissiva cria filhos inúteis — retrucou Martim, irritado.
Naquele exato momento, Thiago Torres chegou da sede do Grupo Torres. Como o irmão mais velho e CEO, ele era atualmente o principal pilar da família, tomando a maioria das decisões empresariais.
— O que está acontecendo? — indagou Thiago, tirando o paletó. Era raro ver seus pais discutindo daquela maneira logo no hall de entrada.
Martim, sem dizer uma palavra, encaminhou as mensagens da escola para o celular do filho.
Laura arregalou os olhos. Queria impedi-lo, mas, sem desculpas na ponta da língua, apenas escondeu o rosto no peito da mãe.
— Mãe... buáá...
Thiago olhou para a tela do celular e suas sobrancelhas se ergueram em surpresa.
— Uau! A Tainá tirou o primeiro lugar da escola! Que orgulho, essa é a minha irmã! Fechou as provas de matemática, física e química com pontuação máxima. Com um raciocínio lógico desses, não tem pra ninguém. Quando for para a universidade, ela precisa fazer Ciências da Computação, focar em engenharia de redes e segurança da informação. Depois de formada, será uma executiva brilhante na empresa. Meu braço direito!
No fundo da mente de Thiago, a saída de Tainá de casa era apenas um capricho passageiro. Cedo ou tarde, ela voltaria.
Ao ouvir as palavras entusiasmadas do irmão, Laura chorou ainda mais alto.
*Que ódio! Ele está jogando sal na minha ferida!* A inveja a consumia por dentro. Estava sufocando de tanta frustração.
— O que deu na Laura? — Thiago finalmente notou o estado da irmã mais nova.
— Você passou esse tempo todo olhando para o quê? — Martim o repreendeu, apontando para o celular.
Foi então que Thiago releu a mensagem com mais atenção.
— A Laura não foi bem? E por que você... trapaceou? Ainda por cima conspirou com a professora?
— Ela não conspirou com ninguém! A professora que entregou as questões de livre e espontânea vontade! — Viviane corrigiu, fuzilando o filho com o olhar.
— Ah, certo. Então a professora trapaceou por você. Essa mulher não tem ética profissional nenhuma, a escola devia demiti-la — Thiago comentou, dando de ombros.
O choro de Laura tornou-se quase histérico.
— Meu bem, não chore. Foi mal na prova, tudo bem, é só uma avaliação mensal. Da próxima vez você estuda mais. Sua base escolar é fraca, você não pode se comparar com a Tainá, que sempre teve acesso à melhor educação do país. No fim das contas, a culpa de tudo isso é nossa — Viviane suspirou, tentando acalmá-la.

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