Na verdade, Ana tinha muita vontade de andar de bicicleta.
Lá em sua cidade natal, ela tinha uma bicicleta velha que usava para ir a qualquer lugar.
Depois de vir estudar em Valenúbia, desde que o trajeto não fosse muito longo, ela sempre andava a pé, mas ficava pensando como seria bom ter uma bicicleta.
— Não é possível. E não é só você; eu mesma preciso pagar o depósito para andar. É a configuração do sistema e não dá para mudar. Se você estiver sem dinheiro, eu posso adiantar para você.
— Não, não, eu tenho dinheiro. Só estava perguntando mesmo.
— Pode usar sem preocupação, o depósito pode ser reembolsado a qualquer momento. Se ficar com medo de não ser seguro, basta solicitar o reembolso sempre que terminar de usar. Na próxima vez, você paga de novo e depois retira novamente.
Tainá entendia perfeitamente essa mentalidade juvenil. Ganhar um pouco de dinheiro não era fácil, e sem experiência com coisas maiores, o medo de perder as economias ou cair em algum golpe era constante.
— Hahaha! É igualzinho a uma criança com uma nota no bolso, que fica conferindo a toda hora com medo de ter perdido.
Aquela boba da Luna começou a provocar Ana, deixando a garota completamente constrangida.
Tainá lançou um olhar de repreensão para ela. — Pare de rir dela. Isso é uma reação perfeitamente normal; se você tivesse algo precioso nas mãos, faria a mesma coisa.
— Eu não estou rindo por mal, é que, haha, eu achei engraçado mesmo.
Aquela resposta foi tão impertinente que Tainá teve vontade de beliscá-la.
Mas, convivendo há tanto tempo, todas sabiam que Luna era do tipo que falava o que vinha à cabeça, sem qualquer maldade. Ninguém a culpava de verdade.
Débora esticou o braço e deu um soco de leve em Luna. — Peça desculpas logo.
— Ana, eu não estou zombando de você, juro. Só achei a situação divertida.
— Não tem problema, eu não levo a mal. As amigas da Tainá são todas pessoas boas.
Por vir de uma família humilde, Ana costumava se sentir deslocada no meio daqueles jovens de famílias ricas. Carregava um leve complexo de inferioridade e possuía uma personalidade mais introvertida.
Apenas na presença de Tainá é que ela conseguia abrir seu coração de verdade.
Tainá sorriu para Luna e Débora, dizendo de propósito: — Vejam só, vocês só se tornaram boas pessoas porque viraram minhas amigas. Por favor, nunca me abandonem.
— Pode ficar tranquila, nem que você nos expulse a pontapés nós vamos embora.
As duas presumiram que Tainá havia feito uma promessa de confidencialidade a alguém.
Não era uma questão de falta de confiança, mas seres humanos sempre podiam cometer deslizes. Especialmente considerando a personalidade de Luna, que dificilmente conseguia guardar um segredo.
Tainá não queria atrair a atenção prematura dos grandes investidores por causa de um boato escapado fora de hora.
Tempos atrás, Tainá havia perguntado se elas gostariam de empreender juntas, mas ambas recusaram. Suas famílias preferiam que elas focassem integralmente nos estudos.
Com isso, Tainá deixou a ideia de lado. Afinal, não era qualquer um que conseguia conciliar os estudos com a construção de uma empresa.
O risco de não fazer nenhuma das duas coisas direito era muito grande.
As verdadeiras famílias da alta sociedade valorizavam acima de tudo a educação de seus herdeiros.
Estavam no último ano do ensino médio, uma fase crucial. Se, por conta de um empreendimento, não conseguissem entrar na universidade dos sonhos, tanto elas quanto seus familiares se arrependeriam amargamente.
Afinal, seja no país ou no exterior, o acesso a universidades de primeira linha nunca dependia apenas de dinheiro.
As promessas de aprovação garantida ou ingresso nas melhores universidades feitas por certas agências de intercâmbio frequentemente envolviam falsificação de documentos e fraudes.

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