Ao final da tarde, após o encerramento das aulas, Tainá, o Professor Fábio e os dois seguranças voltaram mais cedo para casa. A ideia era jantar rápido e seguir direto para a empresa.
No caminho, Fábio indagou: — Como está o progresso das bicicletas?
— Passei o dia todo na escola e não tive tempo de conferir. Mas, como o pessoal do escritório não me ligou, suponho que não tenha ocorrido nenhum problema grave.
Problemas menores, sem dúvida, deveriam existir. Afinal, era a primeira tentativa.
Naquele momento, Tainá também estava ansiosa para descobrir os resultados do dia.
Ao entrarem, perceberam que o filho de Suzi já havia chegado e estava ajudando na limpeza do local.
— Boa noite, Senhorita Tainá!
— Pode me chamar só de Tainá. A Suzi é como alguém da família para mim, eu a respeito muito.
A família do marido de Suzi tinha o sobrenome Junqueira. Ele se chamava Jonas Junqueira; tinha estatura média, olhos não muito grandes, mas expressivos.
Pelas atitudes e modo de falar, demonstrava ser um rapaz sensato e bastante inteligente.
— Sente-se, Jonas, vamos conversar. Não precisa ficar acanhado por aqui.
— Fiquei sabendo que você cozinha muito bem. O que acha de ir trabalhar no refeitório da minha empresa? O salário e os benefícios lá são ótimos.
Como Tainá certamente abriria filiais no futuro, se ele mostrasse competência, poderia até assumir a concessão de refeitórios inteiros, o que renderia um bom dinheiro.
Tainá continuou conversando com ele durante o jantar.
— O trabalho de manutenção das bicicletas também é uma opção, mas é bem mais exaustivo. Cuidar da cantina da empresa seria mais confortável para você.
Tainá estava decidida a cuidar de todos aqueles que a haviam apoiado em sua vida passada.
— Então ficarei no refeitório mesmo.
Suzi também apoiou a ideia. Como eles tinham receitas de família passadas de geração em geração, seria a oportunidade perfeita para colocá-las em prática.
— Não precisa ter pressa para começar. Vocês dois não se veem há muito tempo, aproveitem para matar as saudades. Pode começar daqui a uns dois dias. Depois, sempre que estiver de folga, você vem visitar a sua mãe.
Afinal, era apenas mais uma boca para alimentar, e comida não faltava na casa de Tainá. Além disso, ele certamente não ficaria de braços cruzados.
Tainá não possuía construtoras. Não importava quem ganhasse o contrato do trem-bala, o projeto não lhe dizia respeito.
Seu objetivo no momento era aproveitar enquanto aquelas famílias se matavam por um pedaço de osso. Sem tempo para prestar atenção nela, Tainá teria o cenário perfeito para expandir o negócio das bicicletas silenciosamente.
Ao chegarem ao prédio, Fábio foi para o andar da produtora trabalhar na edição de minisséries. Tainá foi direto para a área administrativa da Bicicleta Verde.
O escritório sofisticado estava tomado por funcionários alinhados em trajes sociais completos — ternos bem cortados e gravatas perfeitamente ajustadas.
— Boa noite, Presidente!
— Chega de formalidades, por favor. Pelos sorrisos no rosto de todos vocês, suponho que o dia tenha sido um sucesso absoluto.
Aquele andar reunia a elite administrativa da Bicicleta Verde: especialistas jurídicos, analistas de dados, gerentes de marketing e de produtos.
Cada um assumia responsabilidades específicas, colaborando em sinergia para impulsionar a operação e o crescimento da empresa.
— Se os dados foram bons ou não, a senhora mesma não poderia verificar no sistema pelo seu próprio computador, Presidente?
Lúcio estava esparramado na cadeira, exausto e visivelmente mal-humorado.

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