Vendo que Laura observava a cena, Viviane sussurrou: — Querida, não se envolva. Aquela laia não presta. E os que estão apanhando também são delinquentes; não merecem um pingo da sua pena.
Marginais? Naquele momento, os olhos de Laura brilharam com uma ideia mórbida.
Para o tipo de trabalho sujo que não poderia cair nos ouvidos da família, usar aquelas pessoas não seria a estratégia perfeita?
— Mãe, eu quero descer e dar uma olhada.
O rosto meticulosamente bem-cuidado de Viviane demonstrou um traço de orgulho. — Você é gentil demais, meu amor. Mas se envolver com esse tipo de escória nunca acaba bem.
— Só vou perguntar o que aconteceu, mãe! Aquele homem me parece tão coitado. Se não fizermos nada, ficarei com o coração apertado pelo resto do dia.
Viviane não resistiu à manha da filha. Suspirou, franzindo a testa: — Não vá sozinha. Deixe que os seguranças resolvam isso.
Minutos depois, um dos homens de terno voltou. — Senhora, aqueles dois ali pegaram um empréstimo com agiota há um mês. Como não conseguiram quitar a dívida, estavam apanhando.
— E qual é o valor?
Laura indagou, dissimulando perfeitamente a fachada de uma garotinha ingênua.
— Pelo que disseram, o valor inicial era cinco mil. Mas com os juros extorsivos, a conta já bate na casa dos vinte mil reais.
— Apenas vinte mil?
Aquela quantia era troco de pão para Laura.
Sua mesada básica era de cem mil por mês, isso sem contar os presentinhos que seus irmãos lhe repassavam escondido.
— Mãe, eu gostaria de ajudar esses homens.
— Minha filha, ser boa o tempo todo neste mundo só vai lhe trazer problemas.
— Ah, mãããe!
Laura manhosa balançava o braço de Viviane.
— Certo, certo. Já que você faz tanta questão, vá em frente.
Derrotada, a mãe cedeu. Parecia um sacrilégio extinguir aquele brilho de bondade compassiva de sua filha.

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