— Claro, quem não quer? — Luna respondeu quase instantaneamente.
— Estou de olho em uma ótima ação...
— Tainá, eu confio em você. Não precisa nem me explicar os detalhes. Vou transferir minhas economias para a sua conta e você opera por mim — Débora declarou após ponderar por um instante.
Atualmente, a família dela preferia que ela não se envolvesse em nada que desviasse seu foco dos estudos.
— Eu faço o mesmo — concordou Luna.
— E se perdermos o investimento? — Tainá testou.
— Se perdermos, perdemos. Assumimos o risco da aposta.
— Certo, então podem transferir o dinheiro.
Isso facilitava as coisas. Tainá pouparia fôlego com explicações técnicas e evitaria o risco de as famílias delas descobrirem acidentalmente as transações.
Débora enviou 500 mil. Como vinha de uma família rica, ter aquela quantia guardada era algo corriqueiro.
A família de Luna, por outro lado, era composta por funcionários públicos; viviam bem, mas não tinham fortunas exorbitantes, então ela transferiu 200 mil.
Quanto a Ana, Tainá sabia que a amiga não possuía economias suficientes para arriscar no mercado de ações, então decidiu não mencioná-la.
Ajudar os outros exigia limites.
Se Tainá usasse o próprio dinheiro para cobrir Ana, não haveria diferença entre um investimento e pura caridade.
Em seguida, Tainá direcionou sua atenção para os dois guarda-costas, para Suzi e para o professor Fábio.
Ela havia feito a ligação com as amigas na sala, sem se importar em esconder deles o assunto.
— E vocês? Estão dispostos a arriscar comigo desta vez?
Sendo a empregadora deles, Tainá sabia que o respeito genuíno só era conquistado com confiança mútua. Você estende a mão e eles entregam o coração.
— Tainá, você tem certeza disso? — indagou o professor Fábio, hesitando.
— Tenho oitenta por cento de certeza.
Sempre havia histórias de pessoas que perderam tudo e faliram da noite para o dia.
Por fim, Fábio Rocha cerrou os dentes e transferiu 100 mil para a conta de Tainá.
— Você opera por mim. Esse dinheiro foi um extra que ganhei trabalhando para você, de qualquer forma. Se sumir, ajo como se nunca tivesse ganhado.
Ele era jovem, afinal. Recém-formado, qual jovem não tinha um pingo de audácia no sangue? E, acima de tudo, ele precisava do dinheiro.
— Essa é a atitude correta. Só quem confia consegue vencer.
— Ah, professor... Amanhã, às dez e meia da manhã, precisarei fazer as operações no computador. Você vai ter que me acobertar e me dispensar das atividades matinais.
Fábio arregalou os olhos. Não era à toa que ela o instigou tanto a entrar no negócio. Estava armando o bote!
— De jeito nenhum! Sou um professor, como posso ajudar uma aluna a matar atividades da escola? Espera... Por que exatamente às dez e meia?
— Porque o montante que estou injetando é enorme. Assim que eu entrar, é provável que mais ninguém consiga espaço. Se não quiser me acobertar, tudo bem. Mas você terá que dar um jeito de me liberar nesse horário de qualquer forma.
Ele havia entrado no barco furado e agora não podia pular. Que dor de cabeça...

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