Com a questão do professor Fábio resolvida, Tainá sentiu um peso sair de seus ombros.
Como precisaria levar o notebook para a escola no dia seguinte e realizar as operações lá, a cooperação de Fábio era indispensável para garantir um ambiente silencioso e discreto.
Os aplicativos de investimento em ações para celular daquela época ainda eram rústicos e limitados.
Em seguida, Tainá voltou-se para Suzi e para os dois guarda-costas.
— E vocês? Querem entrar no negócio?
Se havia ajudado amigos e funcionários, não faria sentido deixar as pessoas de sua própria casa de fora.
— Tainá, eu confio em você, querida — disse Suzi com um sorriso gentil. — Tenho duzentos mil guardados. Mesmo se perdermos tudo, sei que com você aqui, eu e meu filho nunca passaremos fome.
— Combinado, vou arriscar por você também.
Os dois guarda-costas trocaram um olhar rápido e deliberaram brevemente.
— Nós confiamos no julgamento da Senhorita Tainá. Entraremos com um milhão cada e pedimos que gerencie para nós. Se perdermos, a culpa será nossa. Sem arrependimentos.
Eles eram homens forjados nas artes marciais; francos, leais e diretos.
Além do mais, o mercado era transparente. Fosse lucro ou prejuízo, qualquer um poderia checar as oscilações na internet. Não havia espaço para enganos.
— Fechado.
Isso significava que todo o seu círculo mais íntimo, incluindo Débora e Luna, havia confiado a ela a operação de seu capital.
Após finalizar as negociações, Tainá sentou-se para estudar. A conversa havia tomado um pouco do seu tempo, e o relógio já marcava dezenove e vinte.
Mas, se ela focasse intensamente, ainda seria o suficiente.
Sua rotina de estudos pesados geralmente era concluída na escola; em casa, ela se dedicava a revisar as matérias novas.
Pontualmente às nove da noite, Tainá desligou as luzes e deitou-se para dormir. Foi quando seu celular vibrou. Era William Queiroz, o encarregado da vigilância.
— Senhorita, Fernanda foi visitar Laura na detenção por duas vezes consecutivas. Em ambas as ocasiões, entregou diversos suprimentos, conversou brevemente e foi embora.
— Fernanda? — O nome não soou familiar para Tainá num primeiro instante.
— É a secretária do Presidente Torres.
O primeiro motivo era óbvio: Fernanda era incrivelmente competente. O segundo, porém, era estratégico: manter olhos vigiando os movimentos de Martim e as oscilações da empresa.
Não que ela desconfiasse cegamente do marido; era apenas uma precaução contra a fragilidade da natureza humana.
Crescida entre os escândalos da alta sociedade, Viviane já tinha visto lares desmoronarem. Homens com excesso de poder e dinheiro sempre tinham facilidades demais, e tentações sobravam.
...
Voltando ao presente, Tainá ajustou o telefone no ouvido.
— Houve alguma atitude suspeita? — questionou a William.
Na percepção de Tainá, Fernanda jamais nutriu sentimentos maternais ou carinho genuíno por Laura ou seus irmãos.
Se Viviane quisesse demonstrar seu desespero amoroso pela filha na detenção, ela mesma teria ido, ou mandado os irmãos. Jamais delegaria essa função emocional a uma secretária corporativa.
E se fosse um capricho de Martim, os filhos ou a esposa também seriam opções mais coerentes.
— Foi por isso que decidi contatá-la imediatamente, senhorita. Nas duas vezes em que visitou a garota, Fernanda usou roupas completamente diferentes do seu estilo habitual.

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