— Não foi nada grave desta vez, encarem como um aprendizado. Da próxima vez que conversarem, tomem cuidado, as paredes têm ouvidos.
Elas ainda eram jovens e estavam em fase de amadurecimento.
— Olhem lá, é a Júlia Xavier! — apontou Luna para um local não muito distante da sala de aula.
— É muita devoção mesmo, esperando o Henrique Alves todos os dias para irem comer juntos — comentou Débora, revirando os olhos.
— Nem sei que sorte o Henrique tirou para a Júlia tratá-lo assim.
— Será que eles não vão acabar engravidando, comendo juntos todos os dias? — indagou Ana, confusa.
Desde o escândalo da gravidez de Laura, a garota ficava pensando naquilo de vez em quando.
Hahaha...
As três amigas encararam Ana por um segundo antes de caírem na gargalhada.
— Chega, parem de rir, ela só está curiosa — disse Tainá, contendo o próprio riso e fazendo as outras pararem.
— Ana, apenas comer junto não engravida ninguém.
Quanto a como se engravida, é basicamente quando um homem e uma mulher fazem atividades íntimas, escondidos das outras pessoas.
— Isso, isso, e ainda precisam fechar a porta — acrescentou Luna.
— Ah, entendi. Então eu nunca vou ficar com um homem escondida e de porta fechada.
As duas voltaram a rir, mas taparam a boca, tentando se conter ao máximo.
Depois do almoço, no caminho de volta para a sala, as três foram ao banheiro, e Tainá seguiu sozinha pelo corredor.
— Tainá.
Ela não esperava encontrar o Sr. Carlos a poucos passos da sala de aula.
— Eu estava falando sério com você.
— Falando sério sobre o quê? — Tainá ficou um pouco confusa, demorando a entender do que ele falava.
— Sobre você ser minha noiva. Não era brincadeira, eu pensei seriamente no assunto.
A verdade é que ele já gostava de Tainá há muito tempo, mas, como ela era a namorada de infância do Henrique, ele teve que reprimir esse sentimento.
Mas agora que os dois haviam terminado...
— Eu posso resolver as coisas com a minha família.
Para ser honesta, a capacidade de resolução de Carlos era muito superior à de Henrique, mas o amor não podia ser medido apenas pela capacidade.
O principal motivo era que Tainá simplesmente não queria namorar, e ela não sentia aquele tipo de atração por ele.
— Carlos, eu realmente não quero um relacionamento agora.
A vida não é feita só de amores, também existem amigos, colegas e muitas outras coisas.
Nós ainda podemos ser amigos, que tal? Quem sabe não possamos colaborar em negócios no futuro?
Desviando das questões emocionais, Carlos era realmente uma boa pessoa e bastante competente.
— Entendi.
Carlos foi direto ao ponto. Ele já estava se virando para ir embora, quando Luna e as outras se aproximaram e o viram.
— Carlos Xavier, você estava espionando a minha conversa com a Débora de novo?
Ele tinha vindo atrás da Tainá para sondar mais informações?

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