Luna parecia uma gatinha brava, pronta para exigir explicações.
Que história era aquela?
Carlos ficou atônito por um momento, sem conseguir processar, e Tainá se apressou em intervir, entrando no meio.
— Não é nada disso, não é nada disso, você entendeu mal.
Ele só estava me perguntando sobre o material de revisão que o professor Fábio preparou para nós.
— Tainá, ele realmente não veio tentar arrancar informações suas?
Luna, agora mais esperta, evitou usar a palavra "ações".
Ela se lembrou de que, quando conversava com Débora sobre ações pela manhã, Carlos não estava muito longe.
Quanto mais pensava naquilo, mais provável lhe parecia.
Nesse momento, Carlos também entendeu; ela estava falando sobre o incidente daquela manhã.
Mas ele não tinha escutado de propósito; elas estavam falando alto e ele acabou ouvindo por acaso.
— Eu...
— Tudo bem, tudo bem. O que você queria saber, eu já te respondi. Pode ir agora — disse Tainá, interrompendo-o.
Carlos queria dizer que se elas conversavam na frente dele, como podiam reclamar se ele ouvisse? Mas engoliu as palavras diante do corte de Tainá.
Luna nunca foi de guardar segredo, e finalmente estava aprendendo a se controlar um pouco; se começasse a discutir, na pressa, acabaria gritando tudo de novo.
E quem sabe quem mais poderia ouvir.
— Ele... Ele...
— Esquece o "ele". Vocês só precisam lembrar de tomar cuidado com o que falam daqui em diante.
Tainá advertiu Luna a tempo.
Débora também tentou acalmá-la: — É verdade, a culpa foi nossa, não vamos arranjar confusão com os outros.
Fui eu quem se empolgou na hora e não prestou atenção ao redor.
— Tudo bem, assunto encerrado.
Apenas Ana estava ali, sem entender absolutamente nada, mas era uma garota sensata. Se as pessoas não lhe contavam algo espontaneamente, ela nunca perguntava nem bisbilhotava.
Esse era um dos motivos pelos quais Tainá gostava tanto dela.
De volta às suas carteiras, Tainá não conseguiu se conter e perguntou: — Quanto você já conseguiu juntar até agora?
Tainá já havia ajudado as outras amigas e os subordinados, restando apenas aquela colega de origem mais humilde, o que a deixava com um leve peso na consciência.
— Bastante! Já juntei mil reais. Obrigada...
O dinheiro que Ana ganhava no seu emprego de meio período, além de pagar suas despesas de estudo e vida diária, ainda servia para comprar comida e suprimentos para o pai.
— Se der lucro, em quanto tempo o dinheiro retorna?
— Mais ou menos em meia quinzena.
Mas preste atenção: se houver prejuízo, perderemos tudo; se der lucro, o valor pode dobrar.
— Você está apostando?
— Sim, estou apostando.
— Já que você tem oitenta por cento de certeza e tem coragem de apostar, então eu também vou arriscar uma vez.
Agora eu tenho um emprego, não tenho medo; mesmo que eu perca tudo, ainda terei o que comer.
Tainá não esperava que Ana fosse tão ousada.
Excelente. Ela tinha futuro.
Ao terminar de falar, Ana olhou ao redor, deslizou a mão por dentro da blusa, puxou uma pequena bolsinha de pano costurada à mão, separou algumas dezenas de reais como troco e entregou o restante nas mãos de Tainá.
— Por que você não deposita esse dinheiro no banco? É perigoso carregar tanto dinheiro assim com você.
— Eu planejava depositar justamente esta semana, pois antes não tinha conseguido juntar os mil reais.
Tainá contou o dinheiro, eram exatos mil reais.

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