— Exatamente, jovem mestre Thiago. Se for inteligente e renunciar por conta própria, ainda poderá manter a dignidade e receber uma compensação pela saída.
Se chamarmos advogados para auditar as contas e usarmos a lei para expulsá-lo, a situação ficará muito feia.
Ameaçou outro.
— A Família Torres detém a maior parte das ações deste grupo. Se você sair mais cedo, será mais fácil para seu pai liderar a recuperação, o que também será bom para você.
— Pensei que, já que estão determinados a me destituir, não faria sentido lutar contra isso.
Thiago sabia que era hora de partir.
Quanto ao que acabara de dizer, ele só queria testar o quão sujas aquelas pessoas poderiam ser.
E também criar neles a ilusão de que ele não queria ir embora.
Se saísse facilmente, levantaria suspeitas, causando problemas desnecessários.
Agora estava claro: a ação de Martim Torres era idêntica à especulação de Tainá de um tempo atrás.
Dessa vez, não havia mais o que ser feito, ele podia desistir para sempre.
— Tudo bem, já que estão determinados, farei o que querem. Posso sair por minha própria conta, mas tenho uma condição.
Thiago olhou para todos os envolvidos.
— Se você quiser ir por si mesmo, será melhor. Diga, qual é a condição?
Perguntaram os acionistas.
— Cortar todas as relações com a Família Torres, como fez Tainá.
— Jovem mestre Thiago, espero que saiba bem o que está fazendo.
Um acionista perguntou.
Apesar da demissão, os direitos de herança ainda estavam lá. E se ele trabalhasse duro, talvez existisse outra oportunidade de trabalhar na empresa.
Mas, caso cortasse todos os laços, ele seria praticamente deserdado, acabando com as mãos vazias.
— Combinado, é um acordo feito.
Antes que Thiago pudesse falar, Martim concordou sem hesitar.
Ele já havia cortado os laços com os outros três filhos; não havia como se importar com aquele.
E, cortando, pouparia que Thiago fizesse um escarcéu na casa da família, ou que ele tivesse que achar alguma forma de impedi-lo.

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