Porém, desta vez, sentar "lado a lado" significava se afundar juntos na lama da falência, um após o outro.
— Vá para o inferno, seu desgraçado azarado! Quem vai sentar lado a lado com você? Nem pensar!
— Hahaha, já está chegando, falta pouco! O nome disso é castigo divino!
— Eu já sabia que a punição divina viria... só não contava que seria tão rápido!
— Que castigo?
Perguntou Fernanda a Martim, acordando de um estado febril e sonolento.
Após Fernanda receber alta, Martim, incrivelmente, a levou de volta para a casa dele.
Talvez pelo receio com sua reputação e fofocas vizinhas; ou simplesmente por ela ser a única "família" que lhe restava.
Também existia a curiosidade mórbida de saber os graus de danos permanentes causados pelos venenos aplicados por Laura.
Resumindo a ópera, Martim fez com que levassem Fernanda de volta para a residência da Família Torres.
Escutando os murmúrios da mulher, ele voltou seu olhar para a cama e abriu um sorriso. — Chegou a vez dos Gusmão serem castigados... Assim como você.
Ela não proferiu mais nenhuma palavra.
Sabia desde o primeiro segundo o real motivo de ter retornado: tornar-se apenas um mero e desgastado saco de pancadas. Não haviam mais caminhos à sua espera, afinal de contas.
As doses de veneno que Laura colocara para Martim no início não eram de proporções pequenas. Acabou que Fernanda tomou o veneno em seu lugar e sofreu as consequências.
Felizmente, sua ida imediata ao hospital e os devidos suportes lhe pouparam de uma trágica morte, mas os calvários destruíram todas as células sadias de seu corpo debilitado; ela sequer continha a menor parcela de força capaz de levantar sua estrutura envelhecida daquela maldita cama, apesar de sua clareza de pensamento.
Martim lançava farpas sempre que queria, jogando a raiva no frágil cadáver desfalecido à sua mercê. Sem vitalidade, a mulher estava alheia às maldições, temendo mais o fim de seu acolhimento e o despejo solitário à sorte pelas ruas que restariam sem ele.
Verdade... a vingança divina havia chegado para ela também.
Uma boa realidade faria parte dela até os dias atuais, se a mesquinharia cega de desbancar Viviane não habitasse seus velhos modos arrogantes. Em vez de roubar o marido de Viviane, ela poderia ter apenas se casado com outra pessoa e viveria uma vida decente.

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