— Fique tranquilo, eles jamais se maltratariam. — Carlos respondeu por Tainá.
Enquanto o garçom conferia os pedidos, o grupo cerrou os dentes, como se eles mesmos estivessem sofrendo uma grande hemorragia financeira. Mas, na frente do garçom, não ousaram dizer nada, com medo de fazer Tainá perder a moral.
Apenas Beatriz perguntou discretamente a Tainá:
— Não é muita coisa?
— Se não conseguirmos comer tudo, empacotamos e levamos para comer à noite se der fome.
— Vocês, senhoritas ricas, também empacotam o que sobra? — perguntou Enzo.
— Eu não sou nenhuma senhorita rica, devemos economizar onde é preciso economizar. — Tainá sorriu levemente, sem achar que havia algo de errado com a pergunta dele.
— Gastar dezenas de milhares em uma refeição e não ser uma senhorita rica? — Beatriz continuava tão curiosa como sempre.
Tainá apenas sorriu e não se explicou. Naquele momento, o telefone tocou; era Lúcio.
— Vou atender a uma ligação. Quando a comida chegar, podem ir comendo, não precisam me esperar. — Após dizer isso, ela se afastou.
— Ela já pagou a conta? — Beatriz sussurrou para Ana.
Ana lançou-lhe um olhar severo.
— Você acha que a Tainá fugiria sem pagar por causa de uma quantia dessas?
Ana virou o rosto, sem querer mais dar-lhe trela. Ela odiava esse tipo de mesquinhez e ficava infeliz quando menosprezavam sua amiga. Beatriz não ousou dar mais nenhum pio.
— Lúcio, Mateus, vocês também estão aqui?
Os dois estavam comendo ali esta noite. Nenhum lugar tinha melhor privacidade do que a Gastronomia Céu Azul. Como não ficava longe da faculdade de Tainá, ligaram para perguntar se ela queria ir até lá.
— E então? Já se acostumou com a vida no campus? — perguntou Mateus Valente.
— De quem você acha que é a minha colega de treinos? Tem alguma coisa a que ela não se adapte? — disse Lúcio.
— Está indo bem, o treinamento militar começa amanhã, então será um período puxado a partir de agora. — respondeu Tainá.

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