Enquanto caminhavam, Beatriz perguntou a Tainá:
— Será que elas vão estragar nossas roupas?
— Não tenho medo de que ela estrague; tenho medo é de que não estrague. — Tainá parecia extremamente confiante.
— Por quê?
— Você vai descobrir quando chegar a hora.
Quando as duas chegaram ao refeitório, logo na entrada Ana acenou para elas:
— Venham rápido, eu já guardei nossos lugares.
— Obrigada.
Sempre na hora de pico das refeições havia muitas pessoas, e frequentemente os alunos pegavam os pratos e não encontravam onde se sentar. Ana disse rindo:
— Como vocês demoram um pouco mais para tomarem banho revezando, não esperei por vocês e vim assim que acabei.
Naquele momento, o refeitório estava inundado por um mar de uniformes camuflados; era evidente que a maioria dos alunos preferiu almoçar antes mesmo de pensar em tomar banho.
E, naquele mesmo instante no dormitório, Isabella estava tentando impedir Camila de arruinar as roupas de Tainá e Beatriz.
— Abandone suas pequenas artimanhas. Há apenas quatro de nós no dormitório, se as roupas forem destruídas, elas vão suspeitar de quem além de nós? Elas até usariam as roupas rasgadas para ir reclamar com os superiores, e de quebra escapariam do treinamento da tarde. Matariam dois coelhos com uma cajadada só.
— Então o que a gente vai fazer? — Camila ainda não conseguia engolir a raiva.
— Para o cavalheiro que busca vingança, até dez anos não é tarde demais. No futuro, haverá muitas oportunidades. Você se esforçou bastante ultimamente, no final de semana, levarei você para expandir seus horizontes e lhe apresentarei alguns amigos.
Isabella sabia que as atitudes ultrajantes de Camila eram, na verdade, motivadas pelas próprias insinuações dela. Em termos claros, Camila estava apenas lutando as batalhas em seu nome.
— É sério? — Ela bajulava Isabella exatamente para poder, através dela, se envolver com pessoas da alta sociedade. Se conseguisse encontrar um namorado influente, seria perfeito. Pelo menos seus esforços finalmente estavam dando frutos.

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