Afinal, Laura havia protagonizado um espetáculo lamentável naquele dia. Enquanto os internautas e a plateia trucidavam a reputação de Alexandre, ela também não passara ilesa.
Tainá, por outro lado, já havia jantado na rua. Ao trazer para casa o troféu do primeiro lugar, ela curara uma grande frustração de sua vida passada.
A exaustão do dia cobrava seu preço e ela não queria arrastar a noite em brigas desgastantes. Lançou apenas um olhar rápido para a mesa e rumou direto para as escadas.
Martim Torres conversava animadamente com Laura e tinha um sorriso no rosto, mas ao ouvir os passos e erguer os olhos, sua expressão escureceu.
Antes que ele pudesse proferir um sermão, Thiago foi mais rápido e chamou a irmã: — Tainá, venha jantar. Fizemos um banquete para celebrar a sua vitória e a de Laura.
Banquete de celebração? Seria para ela ou só para Laura? Como eles nem sequer esperaram que ela chegasse, de quem exatamente queriam cobrar gratidão?
— Agradeço o convite, mas eu já jantei fora — respondeu ela com desinteresse.
— Tainá, onde estão os seus modos? — explodiu Alexandre, incapaz de conter sua aversão.
— Não ouse falar de modos comigo. Tive um dia exaustivo e não tenho a menor paciência para bater boca.
Dizendo isso, ela virou as costas e retomou seu caminho.
— Pare aí mesmo! Você não respeita mais seus pais? Nem seu irmão mais velho?
— Não. Qual é o problema?
"Se eu não existo para vocês, não esperem nenhuma consideração de mim."
— Tainá, nós somos uma família, não inimigos! — tentou conciliar Thiago.
— Ah, somos uma família? Engraçado, eu nunca percebi.

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