Martim encarou Alexandre com severidade ao questionar.
— Pai, do que o senhor está falando? Nós apenas escorregamos, não dê ouvidos às calúnias dela.
Em seguida, Alexandre lançou um olhar mortal na direção de Tainá.
— O quê? Vai tentar apagar a testemunha agora?
— Você... você me paga...
— Como vocês conseguiram escorregar do nada?
Martim insistiu, estreitando os olhos.
— Pai, não culpe o meu irmão. Fui eu quem tropeçou primeiro, e ele tentou me segurar...
Antes que Laura pudesse terminar o teatro, Tainá a cortou com um sorriso zombeteiro: — Tentou segurar e, no processo, montou em cima de você.
Laura ainda piscava, atônita, enquanto Alexandre arregalava os olhos, furioso.
— Pare de inventar histórias absurdas!
— Vai negar que estava debruçado sobre ela agora mesmo?
— Chega! O assunto morre aqui. Voltem todos para os seus quartos.
Sempre meticuloso, Thiago se ajoelhou e começou a inspecionar o chão, mas não encontrou absolutamente nada.
Na verdade, o pó que Tainá havia espalhado não era nenhum tipo de veneno.
Era um subproduto criado pelo Mestre Yao durante a confecção de um remédio natural. A fumaça condensada resultava em uma substância atóxica, mas que deixava qualquer superfície extremamente escorregadia.
Além disso, o efeito durava pouco tempo antes de evaporar completamente no ar, sendo incolor e inodoro, sem deixar o menor vestígio.
Na época, o Mestre Yao apenas achou que a descoberta poderia ser útil um dia e a armazenou, batizando-a de "Sem Rastro".
De volta ao seu quarto, Tainá enviou uma mensagem de WhatsApp para Alexandre: "As fotos do incidente já estão salvas na nuvem. Se tentarem me mandar para o reformatório de novo, eu vazo tudo."
A resposta veio em questão de segundos: "Você não ousaria."
"Pague para ver. E acredite, essa não é a única carta que eu tenho na manga contra você."
Assim que Tainá se preparava para dormir, o celular vibrou novamente. Era Thiago: "Aquilo lá embaixo não teve dedo seu, não é?"
— Pare de desperdiçar sua energia com ela. Foque apenas no bem-estar da Laura.
Na manhã seguinte, Tainá acordou cedo, como de costume. Ao descer as escadas, foi interceptada por Suzi.
— Senhorita Tainá, o café da manhã está servido. Coma pelo menos um pouco de pão.
— Muito obrigada, Suzi, mas hoje não vai dar. Tenho um compromisso logo cedo, como alguma coisa no caminho.
Tainá não estava recusando por falta de apetite; o problema era que, a partir daquele dia, precisava ter cuidado redobrado com tudo o que consumisse dentro daquela casa.
Antes, Laura era a única que desejava o seu mal absoluto, enquanto os outros eram apenas cúmplices negligentes em seu favoritismo. Mas agora, conhecendo a mesquinhez e o egoísmo de Alexandre, que a via como um obstáculo, era bem provável que ele também a quisesse morta.
Sem contar que Martim e Viviane não hesitariam em usar táticas dissimuladas, disfarçadas de "boas intenções", para tentar controlá-la.
Thiago, por sua vez, tentava bancar o pacificador, mas estava cego pelas manipulações de Laura, tornando-se uma figura inútil no tabuleiro.
Portanto, havia um risco real de que alguém tentasse envenenar sua bebida ou comida.
Mesmo confiando cegamente no carinho de Suzi, a governanta não possuía treinamento em segurança, e a cozinha era um espaço frequentado por vários outros empregados.

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