— Tem prêmio em dinheiro dessa vez?
A avó perguntou com empolgação.
— Dessa vez não, mas no final do semestre talvez tenha a Bolsa de Excelência Acadêmica da universidade.
— Sem problema, no final do semestre Tainá com certeza será a primeira de novo.
— Tomando as suas palavras como bênção, vovó. Se eu ganhar a bolsa no final do semestre, dou tudo para a senhora, para a senhora jogar cartas, jogar como quiser, comprar o que quiser, gastar como quiser.
— Certo, a vovó vai ficar esperando.
Os olhos da avó brilharam intensamente.
Quem não a conhecesse acharia que ela normalmente não tinha dinheiro para gastar e estava aguardando ansiosamente essa pequena bolsa da neta.
— Suzi, ouvi dizer que abriu um salão de jogos no nosso condomínio, é verdade?
— É verdade. Se a senhora quiser jogar, levo a senhora lá amanhã.
— Ah, amanhã não. Vou esperar a Tainá ganhar a bolsa para ir.
Suzi, ...
Ela teve muita vontade de dizer: "Eu te dou o dinheiro para jogar, pode ser?" A própria avó não era desprovida de bens, qualquer um de seus braceletes valia o preço de um apartamento.
Mas não havia como argumentar.
Tainá também não esperava que a avó dissesse isso.
— Vovó, está sem dinheiro? Transfiro para a sua conta agora mesmo e você vai amanhã jogar com a Suzi.
— Quem quer o seu dinheiro? Eu tenho muito dinheiro.
— Eu só quero usar o dinheiro da sua bolsa para jogar e me gabar na frente dos outros velhos.
Ela estufou o peito teimosamente, parecendo uma criança orgulhosa.
Não é à toa que dizem que os velhos viram crianças de novo; a avó era o exemplo perfeito disso no momento.
— Vovó, o prêmio de quando fui a melhor no vestibular ainda está...
Tainá tentou argumentar.
— Para, isso já é passado, já me gabei disso para os meus amigos. Eu quero é a sua próxima bolsa.
Tainá entendeu que a avó estava apenas incentivando-a.
— Certo, vou me esforçar para conseguir para a senhora.
Se conseguisse ou não, no fim ela pegaria outro dinheiro e mentiria, dizendo que ganhou a bolsa.
Mas a velha senhora pareceu ler os pensamentos de Tainá: — Estude bastante. Quando chegar a hora, não tente me enganar, eu vou conferir.

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