— Giovani, quer jogar uma partida de xadrez comigo? Estou tão entediada no quarto. Ah! Henrique, você está aqui! Desculpe interromper, eu não sabia.
A voz dela era tão delicada quanto um cristal. O braço repousava na tipoia enquanto o corpo frágil era coberto por uma luxuosa camisola de seda rosada adornada com bordados.
O tecido leve balançava a cada passo, criando a aura de uma mulher profundamente frágil e adorável.
Henrique levantou o olhar e sentiu uma pontada no peito.
Tainá havia se tornado um monstro imprevisível. Como tivera coragem de mutilar uma irmã tão meiga e inofensiva?
Giovani cruzou os braços, o semblante fechado.
— O que está fazendo aqui fora? Deveria estar repousando, esqueceu das ordens médicas? E além do mais, estamos em uma conversa séria.
— Tudo bem, somos todos amigos. Se você está cansada de ficar deitada, sente-se com a gente. Fica mais animado.
— Muito obrigada, Henrique.
Com um sorriso de gratidão, Laura acomodou-se entre os dois homens. Ela calculou milimetricamente para sentar mais próxima a Henrique, embora lançasse olhares furtivos de receio para o próprio irmão.
— Volte para o seu quarto.
Ele podia ser alguém considerado meio estúpido para a sociedade, mas sabia muito bem das intenções que a irmã mais nova carregava consigo.
Embora não fosse um modelo de virtude, sentia profundo nojo ao ver a irmã dando em cima do noivo de Tainá de forma tão descarada.
— Giovani! — Laura ofegou, grossas lágrimas brotando em seus cílios perfeitos, ameaçando transbordar.
Aquela cena ativou o lado protetor de Henrique em frações de segundo.
— Pegue leve com ela, Giovani. A Laura precisa de distrações para curar a cabeça e o corpo, senão a ferida não se curará.
Giovani engoliu a frustração. Talvez o melhor fosse ignorá-la. Ele pensou que a irmã manteria a compostura perto dele.
Assim que pensou em relaxar os ombros, testemunhou Laura enlaçando o braço de Henrique de forma íntima, apoiando a cabeça contra o peito do rapaz.
— Você é tão gentil, Henrique. Não como meu irmão, que só sabe gritar comigo.
Henrique era o sonho de consumo de qualquer mulher: herdeiro rico, charmoso e dono de uma presença magnética. Desde o primeiro contato, Laura havia traçado o plano de roubá-lo para si.
Tomar o lugar de Tainá na Família Alves não saciava apenas seus desejos ambiciosos, mas também preenchia as diretrizes de quem a controlava pelas sombras. Era a jogada perfeita para saírem vencendo em ambos os lados.
Giovani, porém, explodiu de raiva:
— Volte para o seu quarto agora!

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