— Ouvi a Jéssica dizer que você voltou do País M e comprou celulares para os seus colegas. Você não pode comprar um para a sua avó também?
Era a voz de Helena Lopes.
— Tia Helena, o seu cérebro realmente é uma maravilha. Igualzinha à sua filha, falta-lhe um parafuso.
— Vou te dizer uma coisa: o telefone da minha avó está em perfeito estado.
— Eu estive disposta a dar dezenas de milhões em suplementos à minha avó, e você acha que eu não consigo comprar um celular?
— Sua cabeça foi coberta de cola? Você não sabe que foi eu quem prolongou a vida da vovó?
— Fui eu que bloqueei vocês no telefone da minha avó, entendeu?
— Fiquei com medo que vocês, pessoas insensatas, viessem perturbá-la, entende?
Assim que terminou de falar, Tainá desligou o telefone.
Lúcio olhou para ela e comentou: — A família do seu tio também é um desastre, são o par perfeito para o Igor. Se não fossem da mesma laia, não fariam parte da mesma família.
Não demorou muito, e o número ligou novamente, mas dessa vez era a voz de Felipe Lopes: — Tainá, fale de forma mais educada com a sua tia, ela, afinal, é mais velha que você.
Pelo telefone, ouviam-se os choros de Helena.
— Deixe comigo.
Lúcio pegou o telefone da mão de Tainá de uma vez. — Tio, você não sabe que a avó tem problemas cardíacos?
— A vida dela foi salva por Tainá com muita dificuldade. Sendo filho dela, você não sabe disso?
— Eu sei, mas...
— Sem "mas".
— Se já sabe, então não a aborreça com coisas confusas. Não dá para deixar a velha senhora aproveitar uns anos de sossego?
— Tio, você está ouvindo?
— Estou ouvindo...
— Você, como filho, não pode ser um pouco mais atencioso com a saúde dela? Acho que sabe melhor do que eu a peça que é a sua esposa.
— Tainá já disse da última vez para vocês não perturbarem a avó, esqueceram tão rápido?
— Eu sei muito bem o que vocês querem dizer ligando para a avó.

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