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Renascida em Chamas: O Adeus de Serena Alves romance Capítulo 234

Dois policiais afastaram a multidão e entraram no quarto do hospital. Seguiram a direção indicada pelo dedo de Giselle Castro e viram, na cama, Vera Barbosa, com o rosto pálido como papel. Eles franziram a testa e trocaram um olhar carregado de significado.

Seria mesmo essa mulher, toda enfaixada e de expressão tão frágil, a assassina?

O policial à frente fechou o caderno de anotações, demonstrando dúvida no olhar:

— Senhora, a senhora afirma que ela cometeu um homicídio intencional. Tem alguma prova?

O rosto de Giselle Castro ficou ainda mais sombrio. Tomada pela raiva há poucos instantes, ela se esqueceu de que aquilo fora apenas o que o sogro dissera antes de morrer. Nem sequer mencionara o nome completo de Vera Barbosa, tampouco havia deixado algum registro escrito ou gravado.

Ela abriu a boca, a voz marcada pela urgência:

— Meu sogro... meu sogro disse com todas as letras, foi ela quem cortou o tubo de oxigênio!

— Depoimento verbal não serve como evidência para condenação.

A caneta do policial parou sobre o bloco de notas, enquanto ele olhava para a multidão:

— A senhora tem gravação, testemunhas ou qualquer outra prova material?

A garganta de Giselle Castro travou; ela não conseguiu pronunciar uma palavra sequer.

Não tinha nada.

Os olhares ao redor mudaram, agora voltados para Giselle Castro com uma expressão diferente.

— Sem provas e ainda chama a polícia dizendo que foi assassinato? Essa senhora deve estar descompensada.

— Olha o estado da moça, toda machucada, como ela faria mal a alguém?

— Vai ver é porque a menina está sozinha, aí inventou um motivo pra persegui-la!

Esses comentários fizeram o rosto de Giselle Castro arder de vergonha, a ponto de ela quase não conseguir levantar a cabeça.

O policial fechou o caderno e, com tom mais sério, advertiu:

— Senhora, chamar a polícia com denúncia falsa ou por abuso é crime.

— Sem provas, não acuse as pessoas. Como é a primeira vez, fica apenas o aviso verbal. Se houver reincidência, será punida conforme a lei!

Quando os policiais saíram, os curiosos ainda fizeram piada com Giselle Castro, apontando e ridicularizando-a antes de irem embora.

Sozinha no quarto, Giselle Castro estava totalmente perdida.

Ela não entendia: antes, quando disse o mesmo sobre Serena Alves, Gabriel Serra chamou a polícia e prenderam-na imediatamente. Por que, agora, não funcionava com Vera Barbosa?

Vera Barbosa, por sua vez, observou o constrangimento de Giselle Castro. Já não tinha mais aquele ar submisso de sempre; de repente, soltou uma risada baixa, sem esconder o tom de triunfo, muito diferente da imagem delicada de um momento atrás.

— Senhora, sem provas não adianta chamar a polícia. Além de desperdiçar recursos, ainda mancha o nome da família Serra. Que falta de mérito, não acha?

— Explique-se, do que está falando?

Vera Barbosa semicerrrou os olhos e baixou a voz:

— Ouvi dizer que, para agradar o pai de Gabriel, a senhora ignorou a vontade de uma mulher e a entregou pessoalmente para ele.

— Depois, ao saber da gravidez, tentou dar remédio escondido para ela perder o bebê. Mas a criança nasceu mesmo assim.

— Para bancar a generosidade, criou o menino como seu, mas trancou a mãe biológica numa clínica psiquiátrica até ela perder completamente a razão.

Ao ouvir isso, Giselle Castro cambaleou, ficando tão pálida quanto a folha de papel, fitando Vera Barbosa como se tivesse visto um fantasma. Ela fora extremamente cuidadosa com essa história — além do marido falecido, ninguém mais sabia.

— Como... como você sabe disso?

A voz dela tremia.

Já fazia tantos anos e, ainda assim, alguém havia desenterrado tudo.

Vera Barbosa sorriu, um brilho enigmático no olhar:

— O que eu sei vai muito além disso.

Afinal, desde pequena ela recebia o apoio da família Serra e, durante todos esses anos sob o mesmo teto, aprendera muito mais do que deixava transparecer.

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