Quando o coração de Florence parecia prestes a saltar do peito, Lucian desviou o rosto e lançou um olhar para o casal atrás da árvore.
— Algum problema? — Sua voz fria estava carregada de impaciência.
Ao reconhecerem Lucian, os dois imediatamente baixaram a cabeça com respeito.
— Desculpe-nos, Sr. Lucian. Já estamos indo.
O casal saiu apressado, quase tropeçando nos próprios pés.
Ao ouvir os passos se afastando, Florence soltou um pequeno suspiro de alívio, mas sua tranquilidade durou pouco. Ao tentar empurrar Lucian para se afastar, ele segurou seu pulso com firmeza.
— Vá arrumar suas coisas. Cláudio está te esperando no estacionamento. Ele vai te levar para o apartamento.
A voz baixa e autoritária não deixava espaço para discussão. Era uma ordem, não um pedido.
Florence ficou imóvel, suas longas pestanas tremendo enquanto tentava controlar a onda de emoções que lhe corroía o peito. Para ele, ela não era uma pessoa, mas uma boneca obediente, algo que podia ser manipulado ou descartado conforme sua conveniência.
Cerrou os dentes e, reunindo toda a força que tinha, conseguiu se desvencilhar de sua mão.
— Não precisa. Se você está tão preocupado, daqui a um mês podemos ir juntos ao hospital para ter certeza.
Lucian estreitou os olhos, uma frieza inesperada passando por sua expressão. Ele claramente não esperava essa resistência.
O ar entre eles ficou pesado, quase congelante, até que o toque insistente do celular de Lucian quebrou o silêncio. Era Daphne.
Aproveitando a distração, Florence deu dois passos para trás, sua voz firme e controlada:
— Tio, vá atender. Eu estou indo embora.
Sem olhar para trás, virou-se e saiu, deixando Lucian parado enquanto o celular continuava tocando. Seus olhos escuros, profundos e indecifráveis, a seguiram até que o som irritante do aparelho o trouxe de volta à realidade.
Depois de deixar o telefone tocar por um bom tempo, ele finalmente atendeu com desdém:
— O que foi?
— Lucian, tem tantos jornalistas aqui… Estou com medo. — Respondeu Daphne, chorosa do outro lado da linha.
— Já estou indo.
Sem hesitar, ele se virou e saiu apressado.
Florence, que ainda não havia se afastado muito, notou o movimento e virou-se discretamente. Ao ver Lucian indo embora com urgência, deixou escapar um sorriso frio.
Quem mais poderia fazê-lo correr assim, se não Daphne?
Com um olhar indiferente, Florence seguiu seu caminho.
…
Do outro lado, Daphne apertava o celular com força, os olhos fixos em um casal que conversava casualmente à sua frente, sem perceber sua presença.
— Não acredito que o Sr. Lucian estava com tanta pressa… No meio de um bosque? Mas quem era aquela mulher que ele estava protegendo assim?
— Quem mais poderia ser? Deve ser a Daphne, claro.
Daphne, que estava parada logo atrás deles, ouviu tudo. Seu rosto ficou sombrio, e ela imediatamente adivinhou que Florence era a mulher que estava com Lucian.
Em uma única noite, parecia que Florence havia mudado completamente. E, junto com ela, Lucian também.
Com os punhos cerrados, Daphne se virou e seguiu para o estacionamento, o olhar carregado de fúria.
…
No alojamento, o silêncio reinava. Estava próximo da formatura, e a maioria dos estudantes já havia começado a esvaziar o prédio.
Aproveitando a ausência de pessoas, Florence abriu seu armário e retirou uma pilha de esboços de design, cuidadosamente guardados.
Na sua vida passada, todos esses projetos tinham sido roubados e entregues a Daphne por Lucian.
Graças a isso, Daphne havia se tornado uma das designers de joias mais renomadas, conquistando fama e prestígio.
Oito anos depois, quando Daphne voltou ao país, ela fez questão de contar a Florence toda a verdade em tom de deboche:
— Naquela época, o Lucian me amava tanto que decidiu compensar tudo o que eu passei. Ele disse que você me devia, então me deu seus projetos. Ele falou que era o mínimo que você merecia por ser tão insignificante. Você passou oito anos ao lado dele, teve até um filho, e ele continua te desprezando. Não é ridículo?
As palavras cruéis ecoaram na mente de Florence, e ela só se lembrava de ter desmaiado de puro esgotamento. Quando acordou, descobriu que Lucian havia dado novamente seus novos projetos para Daphne, apenas para agradá-la mais uma vez.
Seu sonho, destruído duas vezes pelas mesmas pessoas.
Mas, nesta vida, Florence jurou que isso jamais aconteceria de novo.
— Flor, o que você está fazendo? — A voz de Rosana interrompeu seus pensamentos.
— Nada demais. Estou apenas organizando minhas coisas, já que a formatura está chegando.
Florence respondeu casualmente, guardando os projetos de volta no armário e trancando a porta com cuidado.
Quando se virou, percebeu que Rosana estava olhando fixamente para o armário, como se estivesse pensando em algo.
Fingindo não notar, Florence perguntou:
— Você precisa de alguma coisa?
Rosana piscou algumas vezes, voltando à realidade.
— Ah, sim. Eu queria te convidar para jantar. Queria também pedir desculpas pelo que aconteceu hoje.
Ao ouvir isso, Florence abaixou o olhar e viu um chaveiro de pelúcia saindo do bolso de Rosana. Depois de um breve silêncio, assentiu com um sorriso leve:



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