Após escapar, Florence não teve coragem de se hospedar em um hotel próximo à universidade. Decidiu ir diretamente para um hotel mais perto do estúdio.
Antes de entrar no carro, ela se virou para olhar para a esquina. Uma luxuosa SUV preta parou ali, e Lucian, vestido inteiramente de preto, saiu da penumbra e entrou no veículo.
Logo depois, o vidro do carro desceu alguns centímetros, revelando um par de olhos negros e intensos que a observavam. No contraste da noite, aquele olhar parecia uma ameaça silenciosa, como se dissesse que ela não tinha para onde fugir.
Um arrepio percorreu as costas de Florence. Sem olhar para trás, ela entrou no carro e ordenou ao motorista que saísse imediatamente.
...
Do outro lado.
Cláudio entrou no carro e fechou a porta com cuidado antes de relatar:
— Sr. Lucian, Florence denunciou os homens por estarem dirigindo alcoolizados e ainda deu o nome da Rosana.
Lucian estava sentado no banco traseiro, girando lentamente o anel no dedo. Ele arqueou ligeiramente a sobrancelha, com um sorriso quase imperceptível.
— Até que enfim ela está ficando esperta. Se fosse como antes, qualquer um devoraria ela viva. Essa garota... É o tipo que deve ser guardada a sete chaves.
Cláudio franziu o cenho e hesitou antes de perguntar com cuidado:
— Sr. Lucian, Florence é...
— O quê? — Lucian interrompeu, frio, cortando qualquer tentativa de questionamento.
Cláudio percebeu que havia falado demais e desviou o olhar, mudando o assunto imediatamente:
— Lavínia marcou para encontrá-lo amanhã na casa de chá.
— Entendido.
...
Florence acordou cedo e chegou ao estúdio antes do horário. Não queria perder o desenrolar daquele dia, especialmente porque sabia que haveria confusão.
Depois de bater o ponto, ela foi ao banheiro. Quando saiu, ouviu uma discussão acalorada de mulheres vindo do saguão.
— Vadia! Não consegue se controlar nem no meio da madrugada? Se não fosse por você, meu marido nunca teria sido preso por dirigir bêbado!
Curiosa, Florence atravessou a multidão que observava o tumulto. No centro da confusão, Rosana estava sendo arrastada pelo cabelo por uma mulher furiosa. A mulher, de salto alto cravejado de cristais, desferia chutes certeiros no corpo de Rosana, que já estava cheia de arranhões nos braços e nas pernas.
— Não, não foi isso... Eu não fiz nada... — Rosana chorava, tremendo no chão, com uma expressão que misturava medo e desespero.
Rosana sempre soubera como se fazer de vítima. Ela se encolhia no chão, soluçando tão profundamente que parecia prestes a desmaiar. Esse comportamento muitas vezes fazia os homens ao redor sentirem pena e quererem defendê-la.
O rosto de Rosana estava coberto de arranhões, e sua aparência era miserável. Mas seus olhos brilhavam com aquele olhar calculado, cheio de falsa inocência e resignação.
A acusação foi o suficiente para despertar a suspeita dos que estavam ao redor, especialmente da mulher, que agora direcionava seu olhar de raiva para Florence.
Florence, no entanto, caminhou tranquilamente até o centro da confusão. Ela cumprimentou a mulher com um sorriso educado e um leve aceno de cabeça antes de falar:
— É verdade, eles comentaram algo sobre um jantar entre colegas. Mas eu não podia ficar, então fui embora mais cedo. Muitos colegas viram isso. Já a Rosana disse que ficaria muito feliz de jantar com eles. Então, acredito que ela tenha ido no meu lugar.
O tom de Florence era calmo, quase casual, mas suas palavras carregavam uma sutileza que fazia parecer que Rosana tinha se oferecido para acompanhar os homens.
A mulher estreitou os olhos, claramente entendendo a insinuação. Sem dizer uma palavra, ela levantou a mão novamente, pronta para dar outro tapa estrondoso no rosto de Rosana.
Rosana tentou se esquivar, mas Florence avançou rapidamente, fingindo preocupação:
— Por favor, não bata na minha amiga!
Com esse movimento, Florence se posicionou estrategicamente, bloqueando qualquer chance de Rosana escapar. Assim, Rosana acabou levando mais quatro ou cinco tapas seguidos, cada um mais forte que o anterior.
— Ai! — Rosana gritou, sua voz agora histérica. Ela se contorcia no chão, incapaz de manter a fachada de vítima.
Quando Florence achou que Rosana já havia recebido o suficiente, ela virou-se para os seguranças e pediu que a protegessem.

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