Lavínia estava prestes a discutir os detalhes do contrato quando ouviu gritos ao longe.
— Fogo! Está pegando fogo! Socorro!
Lucian lançou um olhar rápido em direção ao pavilhão e, sem hesitar, virou-se e correu para fora.
Lavínia apagou o cigarro com calma e soltou um suspiro divertido:
— Faz anos que não acontece nada tão animado na minha propriedade.
...
A propriedade de Lavínia ficava próxima a uma montanha, e com o outono trazendo folhas secas que constantemente eram sopradas pelo vento, o cuidado com incêndios era redobrado. Felizmente, o fogo foi controlado rapidamente pelos funcionários da propriedade.
No entanto, o pequeno jardim especial sofreu o pior. As camélias, antes tão vibrantes e delicadas, agora não passavam de um amontoado de flores queimadas e irreconhecíveis.
Quando Florence ouviu os gritos, ela saiu apressada do banheiro e imediatamente avistou Lucian correndo em direção ao local do incêndio.
Antes que ele chegasse ao banheiro, uma figura apareceu correndo e se atirou em seus braços.
— Lucian, eu estou bem, só que o fogo começou tão de repente... Foi assustador. — Disse Daphne, com a voz trêmula.
— Hum. — Lucian respondeu com um tom baixo, mas era possível perceber o alívio em sua expressão enquanto sua testa relaxava.
Florence parou a alguns passos de distância dos dois. Quando levantou os olhos, encontrou o olhar de Lucian. Os olhos dele, sombrios como sempre, tinham agora uma camada de significado impossível de decifrar.
Ela desviou o olhar rapidamente, sem querer prolongar aquele contato, e focou no pequeno jardim que havia sido destruído pelo fogo.
Foi então que a voz de Lavínia, estrondosa e cheia de autoridade, ecoou pelo local.
— O que aconteceu aqui? Eu não avisei que o tempo está seco e que vocês precisavam redobrar os cuidados com fogo?
Os funcionários trocaram olhares nervosos antes de um deles responder hesitante:
— Sra. Lavínia, nós verificamos tudo a cada hora. Dessa vez, não foi culpa nossa. É que...
— Que foi o quê? Falem logo! — Lavínia estreitou os olhos, lançando um olhar afiado para os empregados, que pareciam ainda mais intimidados.
Um dos funcionários estendeu a mão, revelando um isqueiro.
— Encontramos isso ao lado das flores. Acabamos de verificar, e não estava lá antes. Alguém provocou o incêndio!
Lavínia pegou o isqueiro e o examinou. Era de uma marca cara, decorado com uma fileira de pequenos diamantes incrustados ao redor. Sem dúvida, não era algo que um funcionário comum poderia se dar ao luxo de comprar.
Lucian segurou Daphne pelo braço para apoiá-la, enquanto franzia a testa e se virava para Lavínia.
— Descubra o que aconteceu.
Florence, que estava quieta ao lado, ouviu as palavras dele como uma facada no peito. Era como se uma ferida antiga, cicatrizada com muito esforço, tivesse sido reaberta e começado a sangrar novamente.
Ela sempre soube que Lucian protegeria Daphne, mas acreditava que isso acontecia porque ele não confiava nela, nem nas provas que ela trazia.
Agora, ela finalmente entendia: não importava quem tivesse as evidências ou o que elas mostrassem. Nada mudaria o fato de que Lucian sempre escolheria Daphne.
Florence sentiu uma mistura de tristeza e ironia. Todas as vezes que tentou explicar sua inocência, para ele, não passavam de palavras vazias.
Lavínia, visivelmente insatisfeita com a postura de Lucian, entregou o isqueiro para ele.
— Aqui está a prova. Ela mesma admitiu que é dela. O que mais precisa ser dito?
Antes que Lucian pudesse responder, um dos funcionários gritou, alarmado:
— Quem está aí? Quem está escondido?

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