— Ai, meu Deus… Estou com tanto medo! Eu tenho pavor do escuro… Não consigo enxergar nada… Ah! — Rosana soltou um grito abafado, e Florence ouviu os passos dela tropeçando, como se tivesse perdido o equilíbrio.
Pelo som, Florence percebeu que Rosana estava vindo em sua direção. O problema? Bem à sua frente estava Lucian. Rosana sabia usar as circunstâncias a seu favor.
Logo em seguida, o som de corpos se chocando confirmou suas suspeitas. Rosana realmente conseguiu o que queria. Florence estava prestes a soltar um riso sarcástico, mas, antes que pudesse reagir, uma sombra se colocou à sua frente.
Ela parou, surpresa, sem tempo de processar o que estava acontecendo. A respiração quente e firme de alguém a envolveu, e, sem aviso, Florence sentiu os lábios daquele homem sobre os seus. O beijo a pegou completamente desprevenida, e ela ficou imóvel, incapaz de resistir ou reagir.
O cheiro dele era um misto de ar frio de inverno com o calor suave de um sol tímido. O toque não era urgente como antes; havia uma calma contida, como se ele só quisesse calá-la, mas ainda assim, sua respiração estava ligeiramente descompassada.
Florence foi arrancada de seus pensamentos pelo som de Rosana e Daphne, que ainda estavam no chão, gemendo de dor após a queda. Ao mesmo tempo, o som de passos no corredor se aproximava. As empregadas vinham trazendo bandejas com velas aromáticas, e a luz tremeluzente começava a iluminar o caminho.
Florence, vendo a claridade cada vez mais próxima, entrou em pânico e tentou empurrar o homem à sua frente. No entanto, ele segurou sua cintura com firmeza e a conduziu para dentro do quarto.
Com um clique seco, a porta se fechou e foi trancada. Florence sentiu seu corpo ser pressionado contra a parede. A respiração dele era quente e úmida, e ela sentiu seu coração disparar.
Quando tentou resistir, ele segurou suas mãos com força, mas sem machucá-la. Ele abaixou a cabeça, aproximando-se de seu ouvido, enquanto sua voz rouca e cheia de implicância ecoava:
— Você acha mesmo que eu preciso "me cuidar"? — Lucian perguntou, com um tom que carregava um misto de ironia e provocação.
— Você… — Florence começou a responder, mas foi interrompida por uma batida na porta.
— Florence, trouxe as velas para você. — Anunciou a empregada do lado de fora.
Lucian a encarou, um sorriso leve brincando em seus lábios. Ele deu um passo para trás, encostando na parede ao lado da porta, com as mãos nos bolsos, despreocupado com a possibilidade de ser descoberto.
Florence cerrou os dentes, abriu uma pequena fresta na porta e pegou o prato com as velas aromáticas. Antes de fechar a porta, viu, pelo canto dos olhos, Daphne e Rosana ainda no chão do corredor.

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