Florence ficou assustada com aquele Lucian que parecia tão estranho, e sua respiração ficou descompassada enquanto ela tentava empurrá-lo.
Lucian segurou seu pulso com firmeza, mas sem machucá-la. Seus dedos deslizaram sobre a pele de uma cicatriz clara, onde a queimadura havia deixado marcas.
— Está melhor? — A voz grave dele soou preguiçosa, quase casual.
Florence virou o rosto, evitando respondê-lo. Lucian, no entanto, ergueu a mão e fez com que ela olhasse para ele, apertando levemente seu queixo.
— Vai responder direito agora?
— Tio, você mesmo já disse que eu sou teimosa, não disse? — Florence respondeu, contrariada.
Lucian apoiou ambas as mãos na mesa atrás dela, inclinando a cabeça para baixo, como se estivesse segurando um riso.
— Quando tento falar com você de maneira calma, você não ouve. Mas, pelo visto, as coisas que eu digo sem pensar ficam gravadas na sua memória. — Dessa vez, sua voz tinha um tom leve, algo raro nele, quase uma brincadeira.
Florence não sabia como responder. Há poucos minutos, os dois estavam em clima de tensão, quase como adversários. Agora, a atmosfera parecia confusa. Ela abaixou os olhos, optando por não reagir.
Mas Lucian não estava disposto a deixá-la escapar tão facilmente. Ele se aproximou mais, invadindo o espaço dela. Com o polegar, acariciou o canto dos lábios de Florence, um gesto possessivo que a fez prender a respiração.
— Florence, Ronaldo...
Antes que ele pudesse continuar, Florence ergueu os olhos e o encarou. Havia algo desafiador em sua expressão, e suas palavras saíram firmes:
— Se você continuar com isso, não me importo de contar para a mídia que você tem outra mulher fora de casa.
— Outra mulher? — Lucian parou, observando-a com um olhar afiado e inquisitivo.
— Você mandou fazer um vestido sob medida para outra mulher. Nem mesmo Daphne teve esse privilégio. Deve ser muito difícil para alguém tão ocupado quanto você encontrar tempo para isso. — Florence soltou uma risada fria, cheia de ironia.
Lucian semicerrou os olhos, seus pensamentos atravessando Florence como se ele pudesse enxergar através dela. Então, com a voz baixa e cortante, ele perguntou:
— E depois de tanta conversa, qual é a sua condição?
Florence não hesitou:
— Não dificulte mais as coisas para o Ronaldo.
— Florence! Por que você ainda está aqui?
A voz era do diretor da escola, que entrou acompanhado por três homens vestindo uniformes de segurança.
— Parece que teremos que ajudar você a se mudar. — O diretor continuou, mas sua frase foi cortada pelo tom surpreso ao ver Lucian. — Sr. Lucian!
Florence franziu a testa ao olhar para os "seguranças". Algo neles a incomodava. Ela nunca tinha visto aqueles homens antes, e algo estava errado.
Seus olhos se fixaram no pescoço de um dos homens, onde um pedaço de tatuagem aparecia sob o colarinho. Aquilo imediatamente chamou sua atenção.
Os seguranças da escola eram conhecidos por sua aparência impecável. Tatuagens visíveis eram estritamente proibidas, e, mesmo que tivessem alguma, precisariam escondê-las completamente.
O homem com a tatuagem parecia ter um desenho que ia do ombro até o braço. No calor do verão, aquilo ficaria exposto com facilidade. Esses homens definitivamente não eram seguranças da escola.
Lucian também notou algo estranho. Contudo, ele percebeu o problema observando a maneira como os três andavam. Os passos eram leves e calculados, como se estivessem tentando passar despercebidos. Era o tipo de postura de pessoas acostumadas a atividades ilícitas.
Eles haviam invadido o dormitório feminino. O que pretendiam fazer era algo que ninguém queria imaginar.

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