Ela apenas ficou ali, olhando o sangue escorrer de sua própria mão. Do outro lado, Lucian puxou Daphne para trás de si, protegendo-a. Daphne, escondida em sua sombra, tinha um sorriso no rosto.
Florence observou a cena, com o rosto pálido. Uma risada amarga escapou de seus lábios.
Foi só então que os policiais invadiram o apartamento.
— Quem chamou a polícia? — Perguntou um deles, com pressa.
— Eu. — Lucian respondeu, frio, apontando para Florence. — Levem-na.
O policial olhou para a mão ensanguentada de Florence e ficou surpreso.
— Ela está perdendo muito sangue. Precisamos cuidar do ferimento primeiro.
Sem sequer lançar um olhar para ela, Lucian insistiu com a voz firme:
— Eu disse para levá-la. O que ela fez, terá que arcar com as consequências.
Antes que Florence pudesse dizer algo, ouviu o clique das algemas ao redor de seus pulsos. O sangue continuava a pingar de sua mão ferida, e um dos policiais, preocupado, pegou um pedaço de gaze que tinha consigo e pressionou o ferimento para estancar o sangramento. A dor a fez suar frio, mas ela permaneceu calada.
Enquanto era escoltada para fora do apartamento, Florence parou por um momento. Com a voz baixa, porém firme, disse:
— Não fui eu.
Lucian ergueu o olhar na direção dela, mas antes que pudesse responder, Daphne desmaiou em seus braços. Ele, é claro, não deu atenção a Florence. Com cuidado, segurou Daphne e a levantou como se fosse de cristal.
Florence olhou ao redor e, pela primeira vez, percebeu que cada canto do apartamento de Daphne carregava vestígios de Lucian. Ela abaixou os olhos, tentando conter as emoções, mas ao erguer o olhar novamente, encontrou o olhar frio e impiedoso de Lucian. Era um olhar que parecia esperar que ela implorasse por misericórdia.
Ele sempre foi assim: acima de tudo e de todos, manipulando vidas como bem entendia. Seu olhar parecia dizer que ela nunca escaparia, a menos que ele permitisse.
Florence sentiu o gosto metálico de sangue subir à boca, mas engoliu com força, sem demonstrar fraqueza. Virou-se e, sem hesitar, seguiu em frente. Não olhou para trás.
Lucian a observou sair. Algo em seu olhar vacilou por um instante ao ver a silhueta frágil e solitária de Florence. Ela parecia tão quebrada, tão efêmera, como se pudesse desaparecer a qualquer momento na luz do dia, dissolvendo-se em fumaça. Ele ficou imóvel, encarando o vazio por alguns segundos. Aquela mulher, que um dia sorria discretamente para ele, parecia não existir mais.
Ele desviou o olhar para Cláudio, que aguardava em silêncio. Com uma leve inclinação de cabeça, Cláudio entendeu o recado e saiu discretamente.
…
Já na delegacia, Florence encontrou a mesma policial que uma vez havia sido gentil com ela. A mulher a encarou com um misto de surpresa e compaixão.
— De novo aqui, Florence? — Suspirou a policial. — Venha, eu tenho um kit de primeiros socorros no carro. Vou cuidar do seu ferimento antes que piore.
A gentileza inesperada aqueceu algo dentro de Florence. Pela primeira vez naquele dia, seus olhos ganharam um brilho sutil.
— Obrigada.
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