— Ontem à noite? — Florence repetiu, sua voz quase inaudível.
De fato, ela havia dito muitas coisas.
Ela não teve coragem de vê-lo, drogado com afrodisíacos, suportando tanta dor. Foi por isso que cedeu e se entregou a ele.
No auge daquele momento, enquanto tentava suportar o toque quase torturante de Lucian, Florence se abriu, revelando seus sentimentos mais profundos:
— Sr. Lucian, eu gosto de você.
— Eu gosto de você há muito tempo. Desde o dia em que entrei na família Avery e você me defendeu... Naquele instante, comecei a observar você em silêncio.
— Eu sei que você não liga para mim, mas eu... Eu realmente... Amo você.
Naquele momento, ela pensou que talvez, no dia seguinte, Lucian nem se lembrasse do que aconteceu. Mas ela lembraria. Guardaria em sua memória cada detalhe. Afinal, pelo menos uma vez, ela esteve tão perto dele.
Florence entrou na família Avery com dezesseis anos. Lyra a arrumou como se fosse uma boneca de porcelana para ser exibida.
Naquela época, Lyra não sabia como as damas elegantes realmente se vestiam. Tudo o que ela queria era que sua filha entrasse na família Avery impressionando a todos com sua beleza. Mas o resultado foi o oposto. Florence virou motivo de chacota, chamada de "camponesa que queria se vestir como uma princesa".
Lyra, fraca e submissa, não teve coragem sequer de enfrentar os empregados que zombavam da filha.
Foi então que Lucian apareceu. Alto, imponente, com um longo sobretudo preto, ele estava sob o alpendre, sacudindo o cigarro entre os dedos. A fumaça branca envolvia seu rosto, enquanto a neve caía silenciosamente ao fundo.
Com um único olhar, Lucian fez os empregados se calarem. Ninguém ousou dizer mais nada.
Naquela época, ele tinha apenas vinte e três anos, recém-formado na universidade, mas já era conhecido em Cidade do Sol como um homem perigoso, do qual todos tinham medo.
Ele olhou para Florence, avaliando-a com seus olhos profundos, e disse apenas:
— Dá pro gasto.
Aquela frase ficou na memória dela por anos. Tanto que, mesmo depois de tanto tempo, ela ainda conseguia lembrar o cheiro da presença dele naquele momento.
Depois disso, houve outras ocasiões em que ela o encontrou.
Na primavera, no jardim, quando perdeu posições na escola e estava prestes a chorar. Ele estava encostado em um gazebo, fumando, e ao olhar de relance para o caderno dela, comentou:
— Isso é só burrice. Me passe a caneta.
No verão, na piscina, quando estava aprendendo a nadar e teve uma cãibra na perna. Ele pulou na água para salvá-la, mas não perdeu a chance de repreendê-la:
— Você é completamente desajeitada.
No outono, nas ruas, quando foi assediada e não conseguiu fugir do agressor. Ele desceu do carro, passou o braço em volta dos ombros dela e a levou embora sem dizer uma palavra.
O amor de Florence foi construído nesses pequenos encontros ao longo das estações. Um sentimento que ela guardava com cuidado e em segredo.
Porém...Essas mesmas palavras de amor, Florence já havia dito na vida passada.
Naquela vida, ela se entregou a ele de coração aberto, com sinceridade e paixão, mas tudo o que recebeu em troca foram acusações, humilhações e, no fim, a morte cruel de sua filha.
Lucian nunca se importou com o amor dela. Então, por que ela deveria se importar agora?
Florence abaixou os olhos, sem coragem de encará-lo.
— Você ouviu errado. Eu não disse nada.
— Não vai mais me chamar de tio?
— Tio.
No instante em que a palavra saiu da boca dela, o interior do carro pareceu congelar.
Florence olhou para Lucian, que segurava um cigarro entre os dedos, girando-o distraidamente. Seus olhares se encontraram. Ele quebrou o cigarro ao meio, deixando as folhas de tabaco caírem no chão do carro. O gesto era claro: um aviso.
O coração de Florence apertou, como se estivesse sendo esmagado.
— Encoste o carro. — Lucian ordenou, com frieza.
Cláudio, o motorista, imediatamente encostou o veículo. Ainda estavam dentro da propriedade de Águas Serenas. Lucian podia parar onde quisesse.
Com o carro desligado, Lucian lançou um olhar para Cláudio, que, sem hesitar, saiu, deixando-os sozinhos.
Florence tentou sair também, mas antes que pudesse se mover, sentiu um braço firme ao redor de sua cintura. Em um instante, foi puxada para mais perto dele.
— Quer fugir? Florence, eu estava drogado, mas não estava morto.
Sua voz grave não demonstrava raiva, mas carregava uma ironia cortante.
Florence tentou se libertar, mas era inútil. Ela não era páreo para a força dele. Assim que levantou a mão para se defender, ele a segurou por trás, pressionando-a contra o banco de couro, que afundou levemente sob o peso dos dois.
A posição era constrangedora. Quanto mais ela tentava se mover, mais forte era a pressão que ele exercia, imobilizando-a.


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