Na verdade, Florence não ficou surpresa. Afinal, ela já havia passado por isso em sua vida anterior. Mas reviver tudo de novo ainda fazia sua alma doer profundamente.
Ela sempre tentava escolher caminhos diferentes, mas o destino e o poder pareciam fantasmas invisíveis, que a controlavam sem trégua.
Florence puxou o cobertor e cobriu-se completamente, recusando-se a dar atenção a Lucian.
Lucian saiu do quarto sem dizer nada. Ele caminhou até a área de fumantes, com o rosto impassível. Retirou um cigarro do bolso e bateu-o duas vezes na caixinha, pensativo.
Antes que pudesse acendê-lo, Cláudio se aproximou:
— Sr. Lucian, sobre o que você me pediu para investigar a respeito da Srta. Florence e da Srta. Daphne, já consegui algumas respostas.
Cláudio entregou-lhe uma pasta. Lucian segurou o cigarro entre os dedos e começou a folhear os documentos.
Cláudio explicou enquanto ele lia:
— Aqui estão os projetos que a Srta. Daphne entregou para a competição da escola, e logo atrás estão alguns desenhos antigos dela.
Os estilos eram completamente diferentes. Cláudio apontou para as datas de entrega:
— Foi logo depois daquela noite em que a Srta. Florence passou na sua casa e no dia seguinte foi procurá-lo. Pelo que dizem, naquela época, a escola estava pressionando a Srta. Florence para entregar os desenhos, mas ela não conseguiu entregar nenhum. Os trabalhos da competição, na verdade, foram feitos por ela, que passou três dias sem dormir para completá-los.
A conclusão era óbvia. Florence havia se esforçado ao máximo para a competição, apenas para perder para Daphne. Na festa de comemoração, quase sofreu uma humilhação ainda maior e, agora, estava cega por causa do estresse.
Cláudio ficou em silêncio por um momento, sem saber o que dizer. Ele só conseguia admirar a resiliência de Florence.
Lucian fechou a pasta e acendeu o cigarro. Sob a luz fraca, a fumaça subiu em espirais cinzentas, mudando de forma no ar antes de desaparecer lentamente.
Os olhos escuros de Lucian brilharam com um leve movimento, mas logo ele abaixou o olhar. Com um gesto brusco, quebrou o cigarro entre os dedos.
— Cláudio. — Disse ele, olhando diretamente para o subordinado.
— Sr. Lucian, entendi.
Cláudio, que acompanhava Lucian há anos, não precisava de palavras para saber o que ele pretendia.
Mas ele hesitou por um instante.
— Sr. Lucian, quer que eu vá falar com a Srta. Florence para explicar a situação?
— Não precisa. Vamos.
Lucian jogou o cigarro quebrado no lixo e saiu, exalando uma aura fria e impassível.
…
Florence olhou para as três com gratidão e sorriu:
— Obrigada.
Jasmin, hesitante, levantou a mão e a acenou na frente de Florence, mas Priscila e Bruna lançaram olhares de reprovação para ela, fazendo-a abaixar a mão, constrangida.
Florence riu levemente e estava prestes a provar o mingau quando o som de choro veio da porta, interrompendo-a.
— Flor! Flor! Como isso foi acontecer? Como você ficou cega? — Rosana correu para a cama de Florence, soluçando como se ela tivesse morrido.
Priscila olhou para Rosana com desdém e resmungou:
— Rosana, o que você está fazendo? Quer que todo mundo ouça? A Flor está bem aqui, viva e saudável.
— Eu só estou muito triste... Flor, o que os médicos disseram? Você vai recuperar a visão? — Rosana respondeu, enquanto enxugava as lágrimas com as mãos. No entanto, seus olhos permaneciam fixos nos de Florence, como os de um rato espreitando na escuridão, com um brilho de malícia.
Jasmin, sempre ingênua, ficou irritada com o tom de Rosana e rebateu:
— O que você quer dizer com "vai recuperar a visão"? A Flor…
— Vamos deixar nas mãos de Deus. — Florence interrompeu, seca.

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