Do outro lado da linha, Daphne soltou uma risada despreocupada, cheia de maldade.
— O que eu quero? Não é culpa sua não entender. Afinal, como uma mulher insignificante e de origens tão baixas como a sua mãe poderia criar uma filha decente? Claro que você só poderia se tornar uma vagabunda que sabe apenas seduzir homens. Você não acha que, como futura esposa do Lucian, eu tenho o dever de limpar essa sujeira? Gosta tanto de pegar o que não é seu? Pois agora vai aprender a devolver tudo da mesma forma que pegou! Está sofrendo? Bem feito! Isso é o que você merece, sua desgraçada!
Daphne gargalhou alto, como se quisesse transformar cada palavra em uma faca afiada para dilacerar Florence. Não havia o menor vestígio da mulher recatada e elegante que o público costumava ver.
Florence abaixou o olhar, sua voz soando fria:
— Falou tanto e ainda não disse exatamente o que quer.
— É simples. Desista de entrar no estúdio da Valentina. Se você fizer isso, eu prometo ser gentil com você e... Com a sua mãe.
Daphne batia as unhas recém-pintadas contra a tela do celular, o som rítmico carregado de desdém e ameaça.
— Daphne, eu não vou aceitar isso.
— Você realmente é teimosa, não aprende, né? Então aproveite para dar uma boa olhada na humilhação da sua mãe!
Logo após suas palavras, o celular de Florence começou a apitar com notificações. Ela abriu as mensagens que Daphne havia enviado. As fotos mostravam sua mãe ajoelhada no chão, sendo forçada a comer pão podre, e Bryan jogado em um monte de lixo.
Daphne, no entanto, foi cuidadosa. Assim que Florence viu as imagens, elas foram rapidamente apagadas.
O coração de Florence parecia ser perfurado por facas ao lembrar daquelas cenas. Ela cerrou os dentes, abaixou os olhos e escondeu todas as emoções que a dominavam. Sua postura mudou, e até o tom de sua voz soava diferente.
— Daphne, tudo o que você mencionou diz respeito a nós duas. Não envolva minha mãe e meu tio nisso. Meu tio é filho do Sr. Theo, e minha mãe, apesar de sua origem humilde, é oficialmente reconhecida como esposa da família Avery. Durante todos esses anos, ela sempre foi discreta e nunca fez nada de errado. Atacá-los só vai criar problemas para o tio Lucian e manchar o nome da família Avery.
Assim que Florence terminou de falar, ouviu Daphne gargalhar do outro lado da linha. A risada dela foi seguida por um comentário ácido de Nina:
— Você realmente se acha importante, né?
Daphne, ainda rindo, zombou:
De repente, Lyra, que estava dormindo, começou a gemer em meio a um pesadelo.
— Não! Eu não quero comer isso! Me soltem! Urgh...
Lyra começou a vomitar novamente, mas dessa vez só expeliu bile. Mesmo assim, ela continuava tentando vomitar, como se quisesse se livrar de algo que não estava mais dentro dela.
Florence entrou em pânico e chamou o médico às pressas. O médico aplicou uma medicação para aliviar o estômago de Lyra, que finalmente começou a se acalmar.
Florence permaneceu ao lado da mãe, mas seu rosto estava pálido. Ver Lyra naquele estado a fazia se sentir impotente e cheia de dor. Sem saber o que fazer, ela apertou as próprias mãos com força, usando a dor física para recuperar o controle.
Ela saiu do quarto, pegou o celular e discou para a polícia.
— Alô, eu preciso fazer uma denúncia...
Antes que pudesse terminar a frase, alguém tomou o celular de suas mãos por trás.

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