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Renascida para Fugir, Mas Eles Não Me Deixam Ir romance Capítulo 1

"Você só tem mais dois meses."

...

Ao sair do hospital, Hannah Collins ficou imóvel no jardim, apertando o laudo com a mão trêmula, o rosto totalmente lívido. Ela soltou uma risada vazia, zombando de si mesma sem nenhum traço de humor.

No dia anterior, ela tinha voltado toda animada do turno na loja de chá com leite, até comprou um bolinho para comemorar o próprio aniversário.

Mas assim que engoliu a primeira mordida, desabou — uma dor lancinante, como uma lâmina rasgando por dentro — bem ali, no quartinho alugado por apenas 150 yuans por mês.

Ela conhecia aquela dor. Já vinha a atormentando em silêncio havia dois meses. No começo, ficou um pouco preocupada, mas como não parecia nada sério e ela estava tentando economizar cada centavo, adiou a ida ao médico — até ontem. Aquele episódio a arrastou direto para o pronto‑socorro, junto com uma despesa que ela não tinha como pagar.

E agora, no dia em que completava 20 anos, recebeu o pior tipo de notícia — doença terminal. Fim de jogo.

Sempre durona, Hannah nem sabia como processar aquilo. Entorpecida, pegou o ônibus de volta para o apartamento caindo aos pedaços. Só quando entrou no quarto surrado é que tudo realmente desabou sobre ela.

Ela largou o laudo na mesa e começou a arrumar as coisas em silêncio, como se o corpo se movesse sozinho.

Toc toc toc!

"Hannah? Tá em casa, querida?"

"Tô sim, já vou, dona Walker!"

Esfregando os olhos doloridos, Hannah foi arrastando os pés até a porta e abriu a velha porta de madeira. A senhora Walker, sua senhoria, sorria com os braços cruzados, acompanhada de outra tiazinha.

"Oi, querida, só vim pegar o aluguel."

"Ah! Claro, só um segundo", disse ela, mexendo no celular e fazendo a transferência rapidinho. Cento e cinquenta yuans. O número queimava seus olhos.

O sorriso da senhora Walker se abriu ainda mais quando recebeu a notificação.

"Perfeito, caiu! Se precisar de qualquer coisa, é só chamar, tá bom?"

"Aham! Obrigada, dona Walker. Eu tô bem. De verdade."

A senhoria trocou mais algumas palavras e fechou a porta com um estrondo.

A mulher que veio com ela agarrou seu braço logo depois. "Mas o que é que tem essa menina? Tão nova, morando num lugar desses? Isso aqui não era um depósito velho que você reformou do jeito que deu?"

"Shhh! Eu sei, eu sei", murmurou a senhora Walker depressa, já olhando para a porta como se ela pudesse ouvir. "Ela implorou para eu deixar ela ficar, não parava de pedir. E, olha, 150 mal cobre água e luz!"

Baixando ainda mais a voz, ela se inclinou e sussurrou: "E ó, não sai por aí falando, hein? Mas dizem que essa menina é a filha mais velha que a família Collins expulsou."

"Espera — o quê?! A família Collins? Tipo, *aquela* família Collins?"

Horrorizada, a senhora Walker tapou a boca da amiga com a mão. Ela sabia que essa não conseguia falar baixo nunca. "Fala baixo! Lembra que a família Collins perdeu a filha caçula na época? Dizem que a senhora Collins ficou meio fora de si de tanta saudade e botou a culpa na mais velha por não ter cuidado direito da irmã. Disse que ela fez de propósito! Aí botaram a menina pra fora."

Enquanto falava, a senhora Walker lançou um olhar discreto para a porta de madeira, dando a dica à amiga de que a tal menina era Hannah Collins.

Todo mundo sabia o que aconteceu depois.

Quando a poderosa família Collins de Jingcheng perdeu a filha mais nova e expulsou a suposta filha mais velha "malvada", isso virou manchete. Quase todo mundo tinha ouvido falar.

A amiga da senhoria franziu o rosto, desconfiada.

"Mas ela não parece ser esse tipo de garota. Ela parece tão querida."

"Vai saber? A gente, gente comum, não entende a cabeça de gente rica. Vai ver ela nem era filha de verdade — só alguém que eles criaram por criar."Elas se inclinaram para fofocar baixinho, mas ignoraram completamente o fato de que a porta não era nada à prova de som. As vozes delas atravessaram perfeitamente as paredes finas.

Hannah ouviu cada palavra.

Ela apertou o relatório do hospital com força na mão enquanto velhas memórias começavam a embaralhar sua mente.

Ela era apenas o quê… uma adolescente? Sua irmã tinha implorado para que fugissem um pouco para se divertir, e Hannah não conseguiu dizer não. Então, contra o próprio bom senso, ela a levou.

Foi a última vez que a viu.

Ela procurou por toda parte, correu por todo o bairro até as bolhas estourarem sob seus pés — mesmo assim, nada. Nenhum sinal da irmã.

Ela estava apavorada.

Apavorada que algo tivesse acontecido com sua irmã. Apavorada que a família Collins, que já não gostava dela, finalmente decidisse que era o bastante.

E claro, a verdade não ficou escondida por muito tempo. Assim que descobriram que Stella havia desaparecido, a casa explodiu em fúria.

Capítulo 1 1

Capítulo 1 2

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