"Jessica, me ajuda aqui, querida, a tia promete que vai falar bem de você pro seu pai, viu?"
Jessica teve o caminho bloqueado e, cansada das lamúrias, ajudou Carla a voltar para o quarto.
Naquela noite, ela foi acordada por Xande batendo forte na porta, como se fosse um trovão.
Ao abrir, viu a mão de Xande vindo na sua direção.
Jessica ficou alerta no mesmo instante, desviando rapidamente.
"Pai, pra que esse ataque todo no meio da noite?!"
"Eu não te falei pra cuidar bem da Dona Carla?! Você puxou a sua tia hoje, fez ela esticar as costas, agora tá com dor e vai ter que ir pro hospital! Se meu futuro filho tiver algum problema, eu juro que não vou te perdoar!"
Xande estava furioso. Do lado de fora, Carla chorava baixinho e Luna gritava pra chamar o Uber.
A confusão tomou conta da noite inteira.
Jessica, exausta, mal conseguia manter os olhos abertos.
O médico apenas comentou, sem muita preocupação:
"Grávida logo depois de um aborto, o corpo ainda tá fraco. Evite andar muito."
Carla, apoiada nos braços de Xande, fez um charme, concordando e prometendo que não ia se arriscar mais.
Luna, então, apontou o dedo para Jessica:
"Tudo culpa sua, que barrou minha mãe no corredor! Se não fosse isso, ela já tinha descansado e não teria forçado a barriga!"
Jessica, cochilando num canto, ao ouvir isso, lançou um olhar gelado:
"Se andar uns passos já causa aborto, melhor já reservar um quarto e ficar internada dez meses. O custo do hospital não é nada perto da fortuna da Família Paiva."
"Isso até que é uma ideia," Xande ficou sério assim que ouviu a palavra 'família'.
Carla se assustou.
Ficar dez meses no hospital?!
Capaz de deprimir antes do bebê nascer!

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