Noite profunda.
Jessica havia passado o dia inteiro em reuniões sobre a reestruturação do Grupo Fernanda, confirmando o novo rumo da empresa e os ajustes necessários no quadro de funcionários.
Quando estacionava sua SUV de luxo de ré na vaga, a iluminação do estacionamento subterrâneo estava fraca e amarelada.
Ela saiu do carro e massageou os braços dormentes e doloridos de tanto digitar.
“Quando chegar em casa, preciso pedir pro Bolozinho fazer uma massagem nos meus pés.”
“Jessi—”
Uma voz masculina, grave e inesperada, ecoou de repente.
Jessica tomou um susto.
Seguindo o som, viu Luís Ferreira saindo das sombras. A luz fria e pálida do estacionamento alongava ainda mais a sombra da barba por fazer em seu queixo.
Aquele jovem antes cheio de vida e sonhos agora parecia um homem envelhecido antes do tempo, com mais de trinta anos, os olhos opacos, como um espelho manchado, refletindo apenas uma imagem distorcida de Jessica.
Nem a voz mantinha a doçura de antes; agora só restava culpa.
Fazia tempo que não via Luís.
Depois que ele enxergou quem Rosa Presto realmente era e rompeu com ela.
Jessica nunca mais o encontrara na Baía dos Cisnes.
Mesmo assim, diante da tentativa carinhosa de aproximação do homem,
Jessica sentiu seu coração permanecer calmo como um lago.
“Faz tempo mesmo. Mas, considerando a distância e o estado da nossa relação agora, acho que esse ‘Jessi’ não cabe mais.”
“Tanto faz se é Sra. Paiva, Sra. André ou até só Jessica, Sr. Ferreira.”
As últimas palavras ela fez questão de frisar.
Deixando claro que não havia mais volta.

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