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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 580

A pergunta saiu quase automaticamente.

Liam se inclinou para a frente.

A lembrança seguinte não era de Olívia.

Era Laura ao telefone.

— Ela me ligou há pouco. Estava reclamando porque eu e a Ísis estávamos atrasadas. Estava animada para assistir ao filme. Não faz nem uma hora. A Olívia não desapareceria daquele jeito sem motivo.

Liam ficou completamente imóvel.

— Vocês brigaram?

— Não.

— Então alguma coisa aconteceu.

E Laura insistira:

— Ela não faria isso sem um motivo, Liam.

Ele próprio respondera:

— Eu sei.

O olhar de Liam mudou.

A raiva continuava ali.

Mas agora havia raciocínio.

— Alberto...

O nome saiu carregado de ódio.

— Seu filho da puta.

Levantou-se outra vez.

— Tenho certeza de que tem dedo seu nisso. Assim como quando eu estava preso. Você ameaçou minha esposa.

Começou a andar novamente.

— Mas você tinha que ter confiado em mim, Olívia.

A voz aumentou.

— Eu falei para você! Falei que, se algum dia alguma coisa acontecesse comigo, você estaria protegida.

Apontou para o vazio como se ela estivesse diante dele.

— Depois de tudo que nós vivemos, você tinha que ter confiado em mim.

O peito subia e descia mais rapidamente.

— Porque eu mato e morro por você e pela nossa filha.

A voz falhou por uma fração de segundo.

— Eu entreguei a minha alma para você.

Mas novamente a memória dela o atacou.

— Não preciso da sua autorização para dividir a minha cama com quem eu quiser.

Depois:

— Engraçado ouvir isso justamente de você. Um homem que sempre soube ir embora de uma cama sem olhar para trás agora resolveu julgar as escolhas dos outros.

Liam parou.

Ficou olhando para o chão.

— Sempre foi ciúme...

Ergueu lentamente o rosto.

— Mas o que aconteceu naquela noite?

A pergunta permaneceu no ar.

— O que fez você chegar à cobertura dele daquele jeito? O que fez você precisar me convencer de que tinha transado com André?

Seus olhos se estreitaram.

— O que Alberto falou para você?

O silêncio não lhe deu resposta.

Liam respirou fundo, mas a raiva voltou com ainda mais força.

— Só que nada... — afirmou, apontando o copo para o vazio. — Nada justifica o que você fez.

Deu mais um passo.

— Você quase me fez destruir a minha vida por uma mentira, Olívia.

A voz saiu baixa dessa vez.

Muito mais perigosa.

— Eu poderia ter matado aquele homem.

O peito apertou ao se lembrar das próprias explosões.

— Poderia ter feito uma coisa que não teria volta.

A mandíbula se contraiu.

— E você sabia.

Os olhos escureceram.

— Você me conhecia.

Outro passo.

— Sabia exatamente o que André significava para mim.

Mais um.

— Sabia exatamente o que aquela mentira faria comigo.

Parou diante da mesa de centro.

— Você queria me machucar...

Olhou para a garrafa.

— E escolheu exatamente a única coisa que sabia que poderia me destruir.

O silêncio seguinte durou apenas um segundo.

— PORRA, OLÍVIA!

Precisava ocupar a cabeça com qualquer coisa que não fosse Olívia.

Pouco mais de uma hora depois, Liam atravessava o corredor executivo da Trident impecavelmente vestido. Terno escuro, gravata ajustada, cabelos perfeitamente arrumados. Nenhum sinal externo denunciava o homem que, poucas horas antes, havia arremessado uma garrafa contra a parede.

Às nove em ponto, já estava trabalhando.

Documentos.

Contratos.

Relatórios.

Quanto mais tarefas apareciam, melhor.

Às onze e alguns minutos, uma reunião com parte da diretoria já estava em andamento quando a porta se abriu discretamente.

Olívia entrou.

— Desculpem o atraso.

Liam interrompeu a leitura do relatório e ergueu os olhos.

Foi apenas um olhar. Mas durou um segundo além do necessário. A lembrança dela na cobertura atravessou sua mente antes que pudesse impedir.

Você vai conseguir me perdoar?

Ele desviou os olhos.

— Estamos analisando a ampliação da operação no Mediterrâneo. Sente-se.

Nada de Olívia.

Nada de esposa.

Nada pessoal.

Ela respirou fundo e ocupou a cadeira vazia próxima à dele, abriu o notebook e rapidamente acompanhou os números apresentados na tela.

Um dos diretores retomou a apresentação.

— Como eu estava dizendo, conseguimos antecipar em aproximadamente sessenta dias a ampliação da capacidade do estaleiro se aprovarmos o fornecedor local ainda esta semana.

Olívia percorreu rapidamente os dados.

— Eu aprovaria. Se fecharmos agora, antecipamos o cronograma em dois meses e abrimos capacidade para absorver parte das encomendas previstas para o próximo trimestre.

— Não.

Olívia virou o rosto para ele.

— Por quê?

— Porque vocês estão olhando para o cronograma e ignorando capacidade de entrega.

— Eu analisei a capacidade.

— Então percebeu que o fornecedor ainda não comprovou capacidade para atender simultaneamente aos três projetos sem comprometer prazo e especificação técnica.

— Podemos condicionar o contrato ao cumprimento das garantias.

— Poderíamos, se precisássemos assumir esse risco agora. Não precisamos.

— Estamos deixando dois meses de cronograma na mesa.

— E evitando transformar dois meses de vantagem em dois anos de atraso.

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