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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 615

Ele se lembrou do vídeo.

— Eu assisti ontem.

— Ela estava muito feliz naquela manhã. Filmou tudo. Depois pegou o celular e viu alguma coisa. Não me mostrou, mas eu tinha quase certeza de que era alguma notícia sobre o senhor. Depois ela me confirmou.

Os olhos de Liam endureceram.

— Bárbara. Vi a data do vídeo.

Marina permaneceu em silêncio.

Liam juntou a informação sozinho.

— Foi depois de ela me ver com Bárbara no restaurante. E as notícias com minha secretária.

Marina respirou fundo.

— Eu ia dar comida para Meredith. Ela foi para o quarto. Algum tempo depois, ouvi um barulho de vidro quebrando. Quando cheguei, encontrei Olívia no chão, no meio dos cacos do seu perfume.

Liam não piscou.

— Ela levou meu perfume?

— Ela tinha levado um frasco para o Brasil. Borrifava na sua blusa porque Meredith só dormia abraçada nela para sentir o cheiro do senhor. Falou que tropeçou na penteadeira e o frasco caiu.

Marina sustentou o olhar dele.

— Eu não acreditei.

Liam também não.

— Ela quebrou.

— Foi o que pensei, mas não disse nada. Pelo contrário, acolhi. Ela já estava destruída demais; confrontá-la naquele momento não ajudaria em nada.

A mão de Liam fechou-se lentamente sobre o braço da cadeira.

— O perfume só é vendido aqui.

— Ela falou exatamente isso.

Ele fechou os olhos por um segundo.

— E não era só Meredith que dormia com minha roupa.

— Não. — Marina baixou a voz. — Olívia também. Quando a saudade ficava insuportável, colocava uma das suas blusas como camisola e abraçava outra.

Liam permaneceu em silêncio.

Já sabia disso.

Já tinha ouvido a própria esposa confessar aquilo nos vídeos.

Ainda assim, ouvir de alguém que estive ao lado dela tornava tudo mais concreto.

— Depois daquele dia — Marina continuou — ela parou de chamá-lo de Mozão.

Liam ergueu os olhos.

— Eu percebi nos vídeos.

— Passou a chamar de Liam. E disse uma coisa que nunca esqueci. Falou: “Viúva sou eu. Para o mundo, quem está dentro de um caixão sou eu.”

A expressão dele ficou completamente vazia.

Marina percebeu que aquela ausência de reação era justamente a reação.

— Ela achou que o senhor tinha seguido em frente.

— Eu estava destruído.

— Mas ela não sabia.

Liam apertou a mandíbula.

— Continua.

Marina hesitou pela primeira vez.

— Naquele dia, ela também disse que só havia aceitado aquilo porque estava salvando a vida da filha.

Liam ficou ainda mais atento. Ela continuou

— Depois disso, ela piorou bastante.

Marina baixou os olhos para as próprias mãos.

— Até uma madrugada.

Liam esperou.

Ela não continuou imediatamente.

— Que madrugada, Marina?

Marina ergueu os olhos.

— Senhor Liam...

— Fala.

Aquela única palavra não saiu alta. Saiu baixa demais.

Marina respirou fundo.

— Olívia tentou tirar a própria vida.

O corpo de Liam paralisou. Por alguns segundos, nem mesmo seus olhos pareceram reagir.

— O quê?

— Ela tentou se matar.

Liam levantou-se tão abruptamente que a cadeira recuou.

— Como?

Marina também se levantou, mas permaneceu onde estava.

— Ela entrou no mar.

O ar pareceu desaparecer da sala. Liam ficou olhando para Marina sem realmente enxergá-la. E então a lembrança veio.

O sonho.

Olívia entrando no mar.

Ele correndo atrás dela.

Chamando.

Gritando o nome dela.

A água levando-a cada vez mais para longe.

E Olívia desaparecendo diante dele.

Liam levou a mão lentamente à boca.

— Não...

Liam fechou os olhos.

— Nossa filha...

— Foi por Meredith que ela começou a reagir. Durante algum tempo, Olívia não estava vivendo por ela mesma. Estava vivendo porque tinha uma filha. — Marina fez uma pequena pausa. — Depois veio outra fase. Ela não queria mais ouvir seu nome. Nós não podíamos falar sobre o senhor perto dela.

O maxilar de Liam se contraiu.

— Ela começou a falar em recomeçar. Queria assumir uma das filiais do pai, sair do Brasil com Meredith e construir uma vida nova para as duas. O senhor Fabrício ficou muito relutante.

— Por quê?

— Porque sabia que ela estava tomando decisões no auge da dor. E porque ele também sofreu muito com tudo aquilo. — Marina baixou um pouco a voz. — Seu sogro tem o senhor como um filho, senhor Liam. Eu o ouvi dizer várias vezes que, quando chegasse o momento de encarar o senhor, não precisaria fingir sofrimento nenhum.

Liam ficou imóvel.

— Ele dizia que já estava destruído de verdade. Que olhar para o senhor e sustentar aquela mentira seria terrível porque a dor dele também era real. — Marina respirou fundo. — Uma vez ele disse que, quando Olívia e Meredith foram dadas como mortas, uma parte dele também tinha sido enterrada com elas.

Os olhos de Liam baixaram lentamente.

Marina continuou.

— Ele estava protegendo a filha e a neta, mas sabia exatamente o preço que o senhor estava pagando por aquilo. E isso também o destruía.

A mão de Liam foi ao peito.

Marina percebeu.

— Senhor Liam?

Ele ignorou.

— Continua.

— Talvez seja melhor—

— Continua, Marina.

Ela hesitou, mas obedeceu.

— Olívia tem muito medo de perder Meredith. Medo de o senhor tirar a menina dela. Medo de morrer e Meredith ser criada por outra mulher. Medo de uma madrasta não amar a filha de vocês como ela ama. São medos que aumentaram muito depois de tudo o que aconteceu.

Liam apertou os dedos contra o peito.

— Eu jamais tiraria Meredith dela.

— Eu sei. Mas Olívia não consegue ter essa certeza quando está em crise.

A respiração dele ficou mais curta.

— Quando o senhor levou Meredith para dormir na cobertura, ela sofreu muito. Mais do que demonstrou.

Liam apoiou a mão na mesa.

— Ela achou que eu estava começando a afastar nossa filha dela.

— Sim.

Ele abaixou a cabeça.

— E Charlotte?

— Ciúme. Muito. — Marina não hesitou. — Olívia morre de ciúmes daquela mulher.

Apesar de tudo, Liam soltou uma expiração quase incrédula.

— Eu sabia.

— E muito do que ela falou para o senhor foi para feri-lo porque também estava ferida. Não estou justificando. Só estou dizendo o que vi. — Marina fez uma pausa. — Quando disse que queria o divórcio, quando falou de André... o senhor encontrou verdade nos olhos dela porque havia verdade ali. Só não era a verdade das palavras.

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