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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 629

O sorriso desapareceu lentamente.

— Mas Darcy escolheu Elizabeth e ficou com ela.

Olívia abriu os olhos.

— Você está me escolhendo, Mozão?

A carta permaneceu apertada contra seu peito.

— Porque eu quero acreditar em você. — A voz falhou. — Meu Deus, como eu quero.

Uma lágrima escorreu.

— Esse é o problema. Eu quero tanto que tenho medo de acreditar só porque preciso que seja verdade.

Olívia levantou e caminhou lentamente entre as flores.

— Você enche meu quarto de rosas, escreve que é meu, diz exatamente tudo o que eu quero ouvir... — Tocou outra pétala, mas agora havia tristeza em seu sorriso. — E meu coração já quer correr para você como se nada tivesse acontecido.

Ela balançou a cabeça.

— Mas aconteceu.

A voz feminina.

As ausências.

Os silêncios.

O medo de ter sido substituída e de perder a filha.

Tudo voltou.

Olívia apertou a carta.

— Só que, quando penso em você com outra mulher... alguma coisa não encaixa. — Franziu a testa, irritada com a própria confusão. — Eu conheço seus olhos, Liam. Conheço você quando mente, quando está escondendo alguma coisa, quando está com raiva, quando está com desejo... conheço até aquele maldito sorriso de canto quando está aprontando.

Uma risada chorosa escapou.

— Então por que eu não consigo olhar para você e enxergar um homem apaixonado por outra mulher?

Olívia ficou em silêncio.

Aquela talvez fosse a pergunta que mais a assustava.

— Será que você realmente é meu? Eu vou enlouquecer desse jeito.

Fechou os olhos e passou lentamente os dedos pelos próprios lábios, lembrando-se da última linha da carta.

Um arrepio percorreu seu corpo.

— Meu Deus... esse homem beija maravilhosamente bem.

O sorriso voltou contra sua vontade.

— Como eu queria estar me perdendo em você agora.

Olívia abriu os olhos e bufou consigo mesma.

— Eu me odeio por dizer isso.

Apertou a carta contra o peito outra vez.

— Tenho raiva de mim, Mozão, porque eu deveria conseguir ficar com raiva de você por mais de cinco minutos. — Um sorriso triste apareceu. — Mas não consigo sentir ódio. Eu sinto saudade. Muita saudade.

O sorriso se tornou malicioso por um instante.

— E das safadezas, então... nem se fala.

Ela olhou novamente para as rosas.

— Que coisa linda... Eu amei.

A porta se abriu naquele instante, e Marina entrou com Meredith nos braços. Ao percorrer com os olhos a suíte, a enfermeira abriu um sorriso.

— Meu Deus... compraram uma floricultura inteira?

Toda a angústia de Olívia cedeu imediatamente ao ver a filha.

— Bom dia, amor da minha vida. Dormiu bem, filha? — Ela caminhou na direção de Meredith e abriu um sorriso enorme antes de erguer a carta para Marina. — Acredita que foi ele? Fez tudo isso para eu desculpar ele. Até parece que vou cair nessa.

Marina olhou para a carta amassada de tanto ser apertada contra o peito, depois para as rosas e, finalmente, para o sorriso que Olívia tentava inutilmente esconder.

— Com certeza não vai. Seu sorriso já deixou isso bem claro.

Olívia estreitou os olhos.

— Vou nem te responder, dona Marina. — Apontou para ela enquanto caminhava de costas em direção ao banheiro. — Deixa eu escovar os dentes porque quero beijar muito a minha vidinha.

Marina conteve uma risada enquanto ajeitava Meredith nos braços.

— Imagino que a lingerie tenha feito sucesso. Liam deve ter ficado louco quando entrou aqui ontem.

Olívia parou na porta do banheiro.

Virou-se lentamente.

— Você é muito engraçadinha, Marina.

— Eu não disse nada demais.

— Sei.

Olívia entrou no banheiro, mas, antes de fechar a porta, olhou mais uma vez para a carta que ainda segurava.

O sorriso voltou.

Pequeno. Apaixonado. Quase esperançoso.

E foi justamente isso que a assustou.

— Eu sei.

Fabrício soltou o ar devagar, mas não pressionou.

— Olívia sabe que você foi parar no hospital?

— Não.

— Liam...

— Eu não queria contar pelo telefone. — Liam ergueu os olhos para ele. — E, depois do que descobri ontem, a última coisa de que sua filha precisava era receber a notícia de que eu estava em um hospital sem saber exatamente o que tinha acontecido comigo.

Fabrício ficou atento à escolha das palavras.

— O que você descobriu?

Liam não respondeu imediatamente.

— Eu deveria estar com ela agora. — Passou a mão pela própria nuca e tornou a encarar Fabrício. — Passei a noite com Olívia. Minha intenção era ficar com ela hoje, conversar e começar a resolver o que existe entre nós. Então o senhor ligou.

— E veio até Dallas por minha causa?

— Sua ligação me fez entender uma coisa. — Liam apoiou as costas no sofá. — Antes de pedir à minha esposa que deixe para trás tudo o que aconteceu e construa alguma coisa nova comigo, eu preciso resolver o que deixei pendente. Inclusive com o senhor.

Fabrício sustentou o olhar dele.

Havia dor ali. Liam ainda não o havia perdoado. Fabrício sabia disso e jamais fingira que algumas semanas seriam suficientes para apagar o que fizera.

— Então acho que finalmente teremos a conversa que estamos adiando.

Liam permaneceu em silêncio por um instante antes de perguntar:

— Como o senhor está?

Fabrício percebeu imediatamente que aquela não era uma pergunta casual.

Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.

— Meu coração?

— Sim.

— Está bem.

Liam continuou olhando para ele.

— Tem certeza?

Fabrício soltou uma risada baixa.

— Liam, eu conheço você há tempo suficiente para saber que não veio até aqui para perguntar pela minha pressão arterial. — Tocou de leve o próprio peito. — Este velho coração já passou por muita coisa e está sendo muito bem acompanhado. Além disso, está preparado há bastante tempo para ouvir o que você veio me contar.

— O senhor nem sabe o que é.

— Não. — Fabrício inclinou a cabeça, analisando-o. — Mas sei que não é coisa boa. Você está escolhendo cada palavra desde que entrou por aquela porta porque sabe que eu já quase morri. Então pare de tentar decidir por mim o que meu coração aguenta e fale.

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