O maxilar de Liam se contraiu enquanto assimilava aquilo.
— Fabrício sabe da medicação e da tentativa de suicídio?
— Não. Nem o senhor Fabrício, nem dona Ana, nem Victor sabem.
Liam sustentou o olhar dela por alguns segundos.
— Ela escondeu dos três.
— Escondeu. — Marina assentiu. — O senhor sabe como Olívia é com o pai. Ela faz de tudo para poupá-lo de qualquer sofrimento. Já quase o perdeu uma vez e ficou com muito medo de que alguma coisa pudesse acontecer com ele novamente. Então, quando estava pior, fazia o possível para que o senhor Fabrício não percebesse a dimensão do que ela estava vivendo.
Liam tentou inspirar profundamente. Não conseguiu. Franziu a testa e levou novamente a mão ao peito.
— Senhor Liam?
Ele puxou o nó da gravata.
— Espera.
Marina ficou alerta imediatamente.
Liam afrouxou a gravata e abriu o primeiro botão da camisa.
— Está muito apertado aqui.
— Onde?
Ele pressionou a mão contra o centro do peito.
— No peito.
Marina segurou o braço dele de imediato.
— Sente-se.
— Eu estou bem.
— Senhor Liam, sente-se.
Ele tentou puxar outra inspiração, mas o ar parecia insuficiente. O rosto começou a perder a cor.
— Não estou conseguindo respirar direito.
Marina repetiu novamente.
— Sente-se agora.
Liam apoiou as duas mãos na mesa, tentando se manter firme, mas a respiração já saía curta.
— Meu braço...
Marina ficou imediatamente alerta.
— Qual braço?
Ele flexionou os dedos da mão esquerda, encarando-os por um instante enquanto a dormência avançava.
— Esquerdo. Está dormente. — Liam ergueu os olhos para Marina e, mesmo pálido, a voz ganhou firmeza. — Olívia não pode saber que estou passando mal. Entendeu?
— Senhor Liam, agora isso não importa. Não se levante.
— Importa. — Ele tentou recuperar o fôlego. — Ela não está bem. Não vai carregar mais isso.
— Sente-se. Agora.
— Eu preciso...
Liam tentou dar um passo, mas as pernas cederam antes que conseguisse terminar.
— Senhor Liam!
Marina avançou a tempo de amparar parte do peso dele e conduziu a queda, impedindo que Liam batesse a cabeça na quina da mesa. Assim que ele chegou ao chão, ela se ajoelhou ao seu lado.
— Senhor Liam, olha para mim. Consegue me ouvir?
Ele ainda tentou manter os olhos abertos.
— Não conta... para ela.
— Depois discutimos isso. Agora fica comigo.
Os olhos dele se fecharam, e a cabeça perdeu sustentação.
— Senhor Liam!
A postura de Marina mudou imediatamente. Verificou se Liam respondia e avaliou sua respiração enquanto buscava o pulso.
— Socorro! — gritou em direção à porta, sem se afastar dele. — Chamem o 911 e tragam o desfibrilador! Agora!
Na mansão, Olívia estava na cozinha tomando água quando uma dor forte atravessou seu peito de repente. Ela levou a mão ao coração, e o copo escapou de seus dedos, estilhaçando-se no chão.
Vânia virou-se imediatamente.
— Minha menina?
Olívia permaneceu imóvel diante dos cacos, com a mão pressionada contra o peito. Os olhos se encheram tão rápido que as lágrimas começaram a cair antes mesmo que conseguisse entender aquela sensação.
— Liam...
Vânia se aproximou, preocupada.
— O que foi, Olívia?
Ela ergueu os olhos para Vânia, assustada.
— Aconteceu alguma coisa com o Mozão. Eu senti.
Edgar ergueu discretamente as sobrancelhas, e Liam percebeu.
— Você é o melhor cardiologista deste hospital depois dele. Não vou discutir competência por causa de problema pessoal.
Felipe permaneceu em silêncio, mas sua expressão suavizou discretamente. Edgar apenas assentiu e abriu os resultados.
— Certo. Então vamos aos fatos.
— É o que eu quero.
— Não encontramos evidência de infarto nem de outra lesão cardíaca aguda. Seu eletrocardiograma não mostrou alterações isquêmicas, os marcadores cardíacos estão tranquilizadores e seu ecocardiograma está preservado.
Liam ouviu sem interromper e, quando Edgar terminou, foi direto ao ponto.
— E a perda de consciência?
— Muito provavelmente foi resultado de uma combinação de fatores. Você não dorme adequadamente há dias, está se alimentando mal, consumindo álcool, submetido a um nível de estresse muito alto e hoje ainda teve uma descarga física e emocional importante. Seu organismo chegou ao limite.
Felipe manteve os olhos no filho enquanto Liam assimilava a explicação sem demonstrar mais do que um leve movimento do maxilar.
— Existe alguma alteração cardíaca que exija tratamento?
— Até agora, não. Quero repetir os marcadores e mantê-lo em observação por mais algumas horas. Permanecendo estável, pode receber alta hoje.
— Certo.
Edgar observou-o por um instante antes de fechar parcialmente a pasta.
— Mas não interprete “não teve um infarto” como “não aconteceu nada”. Você teve dor torácica, falta de ar, dormência no braço e perdeu a consciência. Seu corpo deu um aviso bastante claro.
— Entendi.
— Precisa dormir.
— Vou dormir.
— Comer adequadamente.
— Também.
Edgar ergueu uma sobrancelha diante da ausência incomum de resistência.
— E diminuir o álcool.
Liam sustentou o olhar dele.
— Certo.
— Não imaginei que essa conversa seria tão fácil.
— Eu desmaiei no chão da minha sala, Edgar. Discutir com o cardiologista depois disso seria estupidez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Que lindos 😭😭🤍🤍🤍...
oiê está faltando o capitulo 560! houve atualização da escritora! poderiam atualizar aqui tbm por favorzinho. kkkk...
acabou o livro? nunca mais saiu nada...
Essa demora para liberar os capítulos é horrível....
Esses livro não acaba mais🤣...
cadeeee os demais capitulos????????????????????????????/...
Onde está o capítulo 660??...
Haaaa, preciso de mais! Por favor....
por favor atualizem! escritora já soltou novos capítulos....
Aguardando os capítulos novos...