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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 617

O maxilar de Liam se contraiu enquanto assimilava aquilo.

— Fabrício sabe da medicação e da tentativa de suicídio?

— Não. Nem o senhor Fabrício, nem dona Ana, nem Victor sabem.

Liam sustentou o olhar dela por alguns segundos.

— Ela escondeu dos três.

— Escondeu. — Marina assentiu. — O senhor sabe como Olívia é com o pai. Ela faz de tudo para poupá-lo de qualquer sofrimento. Já quase o perdeu uma vez e ficou com muito medo de que alguma coisa pudesse acontecer com ele novamente. Então, quando estava pior, fazia o possível para que o senhor Fabrício não percebesse a dimensão do que ela estava vivendo.

Liam tentou inspirar profundamente. Não conseguiu. Franziu a testa e levou novamente a mão ao peito.

— Senhor Liam?

Ele puxou o nó da gravata.

— Espera.

Marina ficou alerta imediatamente.

Liam afrouxou a gravata e abriu o primeiro botão da camisa.

— Está muito apertado aqui.

— Onde?

Ele pressionou a mão contra o centro do peito.

— No peito.

Marina segurou o braço dele de imediato.

— Sente-se.

— Eu estou bem.

— Senhor Liam, sente-se.

Ele tentou puxar outra inspiração, mas o ar parecia insuficiente. O rosto começou a perder a cor.

— Não estou conseguindo respirar direito.

Marina repetiu novamente.

— Sente-se agora.

Liam apoiou as duas mãos na mesa, tentando se manter firme, mas a respiração já saía curta.

— Meu braço...

Marina ficou imediatamente alerta.

— Qual braço?

Ele flexionou os dedos da mão esquerda, encarando-os por um instante enquanto a dormência avançava.

— Esquerdo. Está dormente. — Liam ergueu os olhos para Marina e, mesmo pálido, a voz ganhou firmeza. — Olívia não pode saber que estou passando mal. Entendeu?

— Senhor Liam, agora isso não importa. Não se levante.

— Importa. — Ele tentou recuperar o fôlego. — Ela não está bem. Não vai carregar mais isso.

— Sente-se. Agora.

— Eu preciso...

Liam tentou dar um passo, mas as pernas cederam antes que conseguisse terminar.

— Senhor Liam!

Marina avançou a tempo de amparar parte do peso dele e conduziu a queda, impedindo que Liam batesse a cabeça na quina da mesa. Assim que ele chegou ao chão, ela se ajoelhou ao seu lado.

— Senhor Liam, olha para mim. Consegue me ouvir?

Ele ainda tentou manter os olhos abertos.

— Não conta... para ela.

— Depois discutimos isso. Agora fica comigo.

Os olhos dele se fecharam, e a cabeça perdeu sustentação.

— Senhor Liam!

A postura de Marina mudou imediatamente. Verificou se Liam respondia e avaliou sua respiração enquanto buscava o pulso.

— Socorro! — gritou em direção à porta, sem se afastar dele. — Chamem o 911 e tragam o desfibrilador! Agora!

Na mansão, Olívia estava na cozinha tomando água quando uma dor forte atravessou seu peito de repente. Ela levou a mão ao coração, e o copo escapou de seus dedos, estilhaçando-se no chão.

Vânia virou-se imediatamente.

— Minha menina?

Olívia permaneceu imóvel diante dos cacos, com a mão pressionada contra o peito. Os olhos se encheram tão rápido que as lágrimas começaram a cair antes mesmo que conseguisse entender aquela sensação.

— Liam...

Vânia se aproximou, preocupada.

— O que foi, Olívia?

Ela ergueu os olhos para Vânia, assustada.

— Aconteceu alguma coisa com o Mozão. Eu senti.

Edgar ergueu discretamente as sobrancelhas, e Liam percebeu.

— Você é o melhor cardiologista deste hospital depois dele. Não vou discutir competência por causa de problema pessoal.

Felipe permaneceu em silêncio, mas sua expressão suavizou discretamente. Edgar apenas assentiu e abriu os resultados.

— Certo. Então vamos aos fatos.

— É o que eu quero.

— Não encontramos evidência de infarto nem de outra lesão cardíaca aguda. Seu eletrocardiograma não mostrou alterações isquêmicas, os marcadores cardíacos estão tranquilizadores e seu ecocardiograma está preservado.

Liam ouviu sem interromper e, quando Edgar terminou, foi direto ao ponto.

— E a perda de consciência?

— Muito provavelmente foi resultado de uma combinação de fatores. Você não dorme adequadamente há dias, está se alimentando mal, consumindo álcool, submetido a um nível de estresse muito alto e hoje ainda teve uma descarga física e emocional importante. Seu organismo chegou ao limite.

Felipe manteve os olhos no filho enquanto Liam assimilava a explicação sem demonstrar mais do que um leve movimento do maxilar.

— Existe alguma alteração cardíaca que exija tratamento?

— Até agora, não. Quero repetir os marcadores e mantê-lo em observação por mais algumas horas. Permanecendo estável, pode receber alta hoje.

— Certo.

Edgar observou-o por um instante antes de fechar parcialmente a pasta.

— Mas não interprete “não teve um infarto” como “não aconteceu nada”. Você teve dor torácica, falta de ar, dormência no braço e perdeu a consciência. Seu corpo deu um aviso bastante claro.

— Entendi.

— Precisa dormir.

— Vou dormir.

— Comer adequadamente.

— Também.

Edgar ergueu uma sobrancelha diante da ausência incomum de resistência.

— E diminuir o álcool.

Liam sustentou o olhar dele.

— Certo.

— Não imaginei que essa conversa seria tão fácil.

— Eu desmaiei no chão da minha sala, Edgar. Discutir com o cardiologista depois disso seria estupidez.

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