Meredith estendeu a mãozinha para o rosto dela, e Olívia beijou seus dedos antes de abraçá-la novamente.
Por alguns minutos, o celular foi completamente esquecido.
Até Olívia tornar a vê-lo ao seu lado.
Seus olhos foram automaticamente para o aparelho.
Ela tentou ignorar.
Não conseguiu.
Pegou o celular outra vez, desbloqueou a tela e abriu a conversa.
Nada.
Liam ainda não tinha visto o vídeo.
Dessa vez, o sorriso desapareceu devagar.
— Olívia, não começa.
Ela bloqueou a tela e colocou o celular ao lado do corpo, voltando a atenção para Meredith.
— Ele deve estar em alguma reunião.
A explicação pareceu perfeitamente razoável por aproximadamente dois segundos.
Olívia franziu a testa.
— Mas eu saberia da reunião...
Seus olhos voltaram para o celular.
Aquela velha inquietação tentou encontrar espaço.
E se...
Olívia fechou os olhos imediatamente.
— Não.
Meredith continuava entretida em seu colo, completamente alheia à batalha que acontecia dentro da cabeça da mãe.
Olívia respirou fundo e beijou os cabelos da filha.
— Não faz isso com você, Olívia. — murmurou para si mesma. — Para de colocar caraminholas nessa cabecinha.
Pegou o brinquedo que Meredith havia lhe dado e movimentou diante dela, decidida a ocupar a própria atenção.
— Seu pai deve estar ocupado. Só isso.
Mas seus olhos ainda escaparam uma última vez para o celular.
A tela continuava apagada.
Em Dallas, o celular de Liam permanecia esquecido enquanto ele terminava de contar a Fabrício tudo o que havia acontecido.
Quando terminou aquele longo relato, Fabrício permaneceu vários segundos em silêncio, assimilando tudo o que acabara de descobrir.
— Vocês chegaram ao ponto de amaldiçoar o amor que sentiam um pelo outro.
Liam não respondeu.
— E depois se beijaram.
— Sim.
Fabrício balançou lentamente a cabeça.
— Isso diz muito mais sobre aquela discussão do que todas as palavras que vocês trocaram.
Liam franziu discretamente a testa.
— Como assim?
— Se realmente existisse indiferença, não haveria aquela necessidade desesperada de ferir. — Fabrício apoiou os antebraços sobre as pernas. — Havia amor, ressentimento, desejo, saudade, medo e orgulho misturados. Isso não torna nada do que foi dito aceitável. Só mostra que o problema de vocês nunca foi ausência de sentimento.
Liam permaneceu atento.
— O perigo é quando duas pessoas que se conhecem profundamente usam esse conhecimento para ferir em vez de cuidar. — Fabrício fez uma pequena pausa. — Você sabia onde machucar Olívia. Ela sabia onde machucar você. E os dois acertaram.
Liam passou a mão pelo rosto.
— Depois eu entendi uma coisa.
— O quê?
— Que aquilo começou justamente quando eu disse que ainda era só dela. Que não tinha existido outra mulher.
Fabrício ficou atento.
— E Olívia se transformou por causa do ciúme.
— Sim.
Liam soltou o ar devagar.
— Eu observava sua filha. O comportamento dela não fechava. As palavras diziam uma coisa, algumas atitudes diziam outra... e os olhos dela...
Fabrício permaneceu em silêncio.
— Eu via verdade nos olhos dela quando me atacava. Esse foi o meu erro. — Liam pressionou os dedos contra a própria nuca por um instante. — Eu procurei mentira onde havia dor.
A expressão de Fabrício mudou discretamente.
— Continue.
— Exatamente.
— E sofrendo por acreditar que você não estava preso a ela da mesma maneira.
— Sim.
Fabrício respirou fundo, assimilando.
— Então, quando você disse que nunca houve outra mulher, não acalmou minha filha.
— Fez o contrário. — Liam ergueu os olhos. — Porque ela não acreditou em mim.
Fabrício compreendeu imediatamente.
— E se sentiu afrontada.
— Foi exatamente isso. — Liam se recostou. — Para mim, eu estava abrindo o peito e entregando a verdade. Para ela, eu estava olhando na cara dela e mentindo sobre uma coisa que acreditava já ter provado.
— E Olívia, quando se sente ferida...
— Ataca. — Liam completou sem hesitar. — Principalmente comigo. Ela nunca se fechou comigo da mesma maneira que se fecha com o senhor ou com dona Ana. Comigo, ela afronta. Provoca. Procura meu limite. Foi assim desde o começo.
Fabrício deixou escapar uma respiração baixa.
— Porque você sempre foi o lugar onde ela se permitiu mostrar a parte menos comportada dela.
Liam quase sorriu.
— O senhor está sendo gentil.
— Sou pai dela. Tenho esse direito.
Um breve silêncio passou entre os dois antes de Fabrício voltar à seriedade.
— Mas há uma coisa importante nisso tudo, filho. Entender por que Olívia fez aquilo não transforma o que ela fez em certo.
— Eu sei.
— Ela acreditou que você a traiu, sentiu ciúme, sofreu e quis devolver a dor. Eu consigo compreender minha filha. Mas usar André para destruir você foi errado. Assim como foi errado você usar os valores dela, a família e aquilo que sabia que atingiria sua dignidade para destruí-la de volta.
Liam assentiu.
— Nós dois fomos cruéis.
— Foram. — Fabrício não suavizou. — Dois adultos profundamente feridos, conhecendo exatamente as vulnerabilidades um do outro e usando esse conhecimento da pior maneira possível.
Liam ficou alguns segundos em silêncio.
— A diferença é que agora eu consigo enxergar o que estava acontecendo.
— Isso muda muita coisa. — Fabrício inclinou levemente a cabeça. — Mas não muda tudo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Que lindos 😭😭🤍🤍🤍...
oiê está faltando o capitulo 560! houve atualização da escritora! poderiam atualizar aqui tbm por favorzinho. kkkk...
acabou o livro? nunca mais saiu nada...
Essa demora para liberar os capítulos é horrível....
Esses livro não acaba mais🤣...
cadeeee os demais capitulos????????????????????????????/...
Onde está o capítulo 660??...
Haaaa, preciso de mais! Por favor....
por favor atualizem! escritora já soltou novos capítulos....
Aguardando os capítulos novos...