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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 636

Meredith estendeu a mãozinha para o rosto dela, e Olívia beijou seus dedos antes de abraçá-la novamente.

Por alguns minutos, o celular foi completamente esquecido.

Até Olívia tornar a vê-lo ao seu lado.

Seus olhos foram automaticamente para o aparelho.

Ela tentou ignorar.

Não conseguiu.

Pegou o celular outra vez, desbloqueou a tela e abriu a conversa.

Nada.

Liam ainda não tinha visto o vídeo.

Dessa vez, o sorriso desapareceu devagar.

— Olívia, não começa.

Ela bloqueou a tela e colocou o celular ao lado do corpo, voltando a atenção para Meredith.

— Ele deve estar em alguma reunião.

A explicação pareceu perfeitamente razoável por aproximadamente dois segundos.

Olívia franziu a testa.

— Mas eu saberia da reunião...

Seus olhos voltaram para o celular.

Aquela velha inquietação tentou encontrar espaço.

E se...

Olívia fechou os olhos imediatamente.

— Não.

Meredith continuava entretida em seu colo, completamente alheia à batalha que acontecia dentro da cabeça da mãe.

Olívia respirou fundo e beijou os cabelos da filha.

— Não faz isso com você, Olívia. — murmurou para si mesma. — Para de colocar caraminholas nessa cabecinha.

Pegou o brinquedo que Meredith havia lhe dado e movimentou diante dela, decidida a ocupar a própria atenção.

— Seu pai deve estar ocupado. Só isso.

Mas seus olhos ainda escaparam uma última vez para o celular.

A tela continuava apagada.

Em Dallas, o celular de Liam permanecia esquecido enquanto ele terminava de contar a Fabrício tudo o que havia acontecido.

Quando terminou aquele longo relato, Fabrício permaneceu vários segundos em silêncio, assimilando tudo o que acabara de descobrir.

— Vocês chegaram ao ponto de amaldiçoar o amor que sentiam um pelo outro.

Liam não respondeu.

— E depois se beijaram.

— Sim.

Fabrício balançou lentamente a cabeça.

— Isso diz muito mais sobre aquela discussão do que todas as palavras que vocês trocaram.

Liam franziu discretamente a testa.

— Como assim?

— Se realmente existisse indiferença, não haveria aquela necessidade desesperada de ferir. — Fabrício apoiou os antebraços sobre as pernas. — Havia amor, ressentimento, desejo, saudade, medo e orgulho misturados. Isso não torna nada do que foi dito aceitável. Só mostra que o problema de vocês nunca foi ausência de sentimento.

Liam permaneceu atento.

— O perigo é quando duas pessoas que se conhecem profundamente usam esse conhecimento para ferir em vez de cuidar. — Fabrício fez uma pequena pausa. — Você sabia onde machucar Olívia. Ela sabia onde machucar você. E os dois acertaram.

Liam passou a mão pelo rosto.

— Depois eu entendi uma coisa.

— O quê?

— Que aquilo começou justamente quando eu disse que ainda era só dela. Que não tinha existido outra mulher.

Fabrício ficou atento.

— E Olívia se transformou por causa do ciúme.

— Sim.

Liam soltou o ar devagar.

— Eu observava sua filha. O comportamento dela não fechava. As palavras diziam uma coisa, algumas atitudes diziam outra... e os olhos dela...

Fabrício permaneceu em silêncio.

— Eu via verdade nos olhos dela quando me atacava. Esse foi o meu erro. — Liam pressionou os dedos contra a própria nuca por um instante. — Eu procurei mentira onde havia dor.

A expressão de Fabrício mudou discretamente.

— Continue.

— Exatamente.

— E sofrendo por acreditar que você não estava preso a ela da mesma maneira.

— Sim.

Fabrício respirou fundo, assimilando.

— Então, quando você disse que nunca houve outra mulher, não acalmou minha filha.

— Fez o contrário. — Liam ergueu os olhos. — Porque ela não acreditou em mim.

Fabrício compreendeu imediatamente.

— E se sentiu afrontada.

— Foi exatamente isso. — Liam se recostou. — Para mim, eu estava abrindo o peito e entregando a verdade. Para ela, eu estava olhando na cara dela e mentindo sobre uma coisa que acreditava já ter provado.

— E Olívia, quando se sente ferida...

— Ataca. — Liam completou sem hesitar. — Principalmente comigo. Ela nunca se fechou comigo da mesma maneira que se fecha com o senhor ou com dona Ana. Comigo, ela afronta. Provoca. Procura meu limite. Foi assim desde o começo.

Fabrício deixou escapar uma respiração baixa.

— Porque você sempre foi o lugar onde ela se permitiu mostrar a parte menos comportada dela.

Liam quase sorriu.

— O senhor está sendo gentil.

— Sou pai dela. Tenho esse direito.

Um breve silêncio passou entre os dois antes de Fabrício voltar à seriedade.

— Mas há uma coisa importante nisso tudo, filho. Entender por que Olívia fez aquilo não transforma o que ela fez em certo.

— Eu sei.

— Ela acreditou que você a traiu, sentiu ciúme, sofreu e quis devolver a dor. Eu consigo compreender minha filha. Mas usar André para destruir você foi errado. Assim como foi errado você usar os valores dela, a família e aquilo que sabia que atingiria sua dignidade para destruí-la de volta.

Liam assentiu.

— Nós dois fomos cruéis.

— Foram. — Fabrício não suavizou. — Dois adultos profundamente feridos, conhecendo exatamente as vulnerabilidades um do outro e usando esse conhecimento da pior maneira possível.

Liam ficou alguns segundos em silêncio.

— A diferença é que agora eu consigo enxergar o que estava acontecendo.

— Isso muda muita coisa. — Fabrício inclinou levemente a cabeça. — Mas não muda tudo.

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