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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 802

No outro dia, na Titanium, Amanda entrou na sala de André sem bater, como fazia sempre.

— Vida, sua reunião das três foi confirmada, a das quatro e meia passou para amanhã e eu consegui encaixar aquela ligação antes do almoço. — Ela caminhou até a mesa com o tablet nas mãos e, ao perceber que André não prestava atenção em absolutamente nada do que dizia, diminuiu o passo. Ele estava recostado na cadeira, os olhos presos nela e aquele sorriso de canto que Amanda conhecia bem demais. — O que foi?

— Nada — respondeu André, sem desviar os olhos.

— André... — Amanda prolongou o nome, estreitando os olhos diante da expressão dele.

— Estou olhando para a minha secretária. Não posso mais? — provocou, deixando o olhar passear por ela sem qualquer preocupação em disfarçar.

— Pode. O que não pode é ficar com essa cara enquanto eu estou falando da sua agenda. — Amanda apoiou uma das mãos na lateral da mesa e inclinou levemente o rosto, desconfiada. — O que você está aprontando?

— Estava lembrando de quando conheci você — confessou André, e o sorriso aumentou ao ver Amanda soltar um suspiro quase imediato.

— No elevador? — perguntou ela, embora a expressão no rosto dele já a fizesse desconfiar de que não era exatamente daquela parte que estava falando.

— Depois do elevador.

— Meu Deus... — Amanda fechou os olhos por um instante e balançou a cabeça, arrancando uma risada dele.

— Você lembra.

— Infelizmente. — Ela colocou o tablet sobre a mesa e cruzou os braços, encarando-o. — Você foi muito sem-vergonha naquele dia.

— Eu fui determinado — corrigiu André, contendo o sorriso.

— Você entrou em um setor restrito da Cole Law atrás de uma mulher que tinha conhecido menos de uma hora antes — rebateu Amanda, abrindo um pouco os braços como se aquele fato, por si só, encerrasse qualquer discussão.

— E valeu a pena — respondeu ele sem hesitar.

— Você era cliente do escritório, vida. Não podia nem entrar lá — lembrou Amanda, tentando manter a seriedade apesar da diversão que começava a aparecer em seus olhos.

— Isso deixou tudo mais emocionante — provocou André, fazendo o canto da boca dela ameaçar subir.

— Você era maluco — murmurou Amanda, mordendo discretamente a parte interna da bochecha para não sorrir.

— E você mentiu pra mim — devolveu André, apontando para ela.

— Porque eu queria me livrar de você — respondeu Amanda com a maior naturalidade, dando de ombros.

— Disse que saía às sete.

— E saía às cinco — confessou ela, deixando finalmente o sorriso escapar.

— Eu fiquei esperando — lembrou André, balançando a cabeça diante da falta de qualquer remorso no rosto dela.

— Bem feito — Amanda riu, e André soltou uma risada baixa enquanto se levantava.

— Sabe o que é pior? — perguntou ele, contornando a mesa sem tirar os olhos dela.

— O quê? — Amanda acompanhou a aproximação com o olhar, o sorriso diminuindo quando André parou diante dela.

— Eu sabia que você não ia me ligar — confessou, deslizando a mão pela cintura de Amanda e puxando-a suavemente para mais perto.

— Então por que foi atrás de mim? — perguntou ela, erguendo os olhos verdes para ele enquanto as mãos pousavam naturalmente no peito de André.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, observando o rosto dela tão perto do seu. Tantos meses haviam se passado, mas a pergunta continuava tendo exatamente a mesma resposta.

— Porque eu precisava descobrir se aquilo que aconteceu naquele elevador tinha acontecido só comigo — respondeu André, acariciando distraidamente a lateral da cintura dela com o polegar.

O sorriso desapareceu devagar dos lábios de Amanda. Os olhos verdes permaneceram presos aos dele e, por alguns segundos, a brincadeira deu lugar à lembrança daquela sensação que nenhum dos dois esperava encontrar naquele dia.

E a memória voltou.

André saiu da sala de Alex com a cabeça cheia de informações que deveriam ter ocupado toda a sua atenção.

Deveriam.

Mas não ocupavam.

Ao passar pela mesa da secretária, diminuiu o passo. A imagem que insistia em voltar era outra: os olhos verdes de Amanda, os dedos dela tocando os seus quando ambos se abaixaram para pegar o cartão, a mudança quase imperceptível na respiração dela quando ficaram próximos demais e aquele segundo dentro do elevador em que nenhum dos dois pareceu disposto a desviar o olhar.

Um segundo apenas.

André conhecia atração. Conhecia mulheres. Conhecia desejo.

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