No outro dia, na Titanium, Amanda entrou na sala de André sem bater, como fazia sempre.
— Vida, sua reunião das três foi confirmada, a das quatro e meia passou para amanhã e eu consegui encaixar aquela ligação antes do almoço. — Ela caminhou até a mesa com o tablet nas mãos e, ao perceber que André não prestava atenção em absolutamente nada do que dizia, diminuiu o passo. Ele estava recostado na cadeira, os olhos presos nela e aquele sorriso de canto que Amanda conhecia bem demais. — O que foi?
— Nada — respondeu André, sem desviar os olhos.
— André... — Amanda prolongou o nome, estreitando os olhos diante da expressão dele.
— Estou olhando para a minha secretária. Não posso mais? — provocou, deixando o olhar passear por ela sem qualquer preocupação em disfarçar.
— Pode. O que não pode é ficar com essa cara enquanto eu estou falando da sua agenda. — Amanda apoiou uma das mãos na lateral da mesa e inclinou levemente o rosto, desconfiada. — O que você está aprontando?
— Estava lembrando de quando conheci você — confessou André, e o sorriso aumentou ao ver Amanda soltar um suspiro quase imediato.
— No elevador? — perguntou ela, embora a expressão no rosto dele já a fizesse desconfiar de que não era exatamente daquela parte que estava falando.
— Depois do elevador.
— Meu Deus... — Amanda fechou os olhos por um instante e balançou a cabeça, arrancando uma risada dele.
— Você lembra.
— Infelizmente. — Ela colocou o tablet sobre a mesa e cruzou os braços, encarando-o. — Você foi muito sem-vergonha naquele dia.
— Eu fui determinado — corrigiu André, contendo o sorriso.
— Você entrou em um setor restrito da Cole Law atrás de uma mulher que tinha conhecido menos de uma hora antes — rebateu Amanda, abrindo um pouco os braços como se aquele fato, por si só, encerrasse qualquer discussão.
— E valeu a pena — respondeu ele sem hesitar.
— Você era cliente do escritório, vida. Não podia nem entrar lá — lembrou Amanda, tentando manter a seriedade apesar da diversão que começava a aparecer em seus olhos.
— Isso deixou tudo mais emocionante — provocou André, fazendo o canto da boca dela ameaçar subir.
— Você era maluco — murmurou Amanda, mordendo discretamente a parte interna da bochecha para não sorrir.
— E você mentiu pra mim — devolveu André, apontando para ela.
— Porque eu queria me livrar de você — respondeu Amanda com a maior naturalidade, dando de ombros.
— Disse que saía às sete.
— E saía às cinco — confessou ela, deixando finalmente o sorriso escapar.
— Eu fiquei esperando — lembrou André, balançando a cabeça diante da falta de qualquer remorso no rosto dela.
— Bem feito — Amanda riu, e André soltou uma risada baixa enquanto se levantava.
— Sabe o que é pior? — perguntou ele, contornando a mesa sem tirar os olhos dela.
— O quê? — Amanda acompanhou a aproximação com o olhar, o sorriso diminuindo quando André parou diante dela.
— Eu sabia que você não ia me ligar — confessou, deslizando a mão pela cintura de Amanda e puxando-a suavemente para mais perto.
— Então por que foi atrás de mim? — perguntou ela, erguendo os olhos verdes para ele enquanto as mãos pousavam naturalmente no peito de André.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, observando o rosto dela tão perto do seu. Tantos meses haviam se passado, mas a pergunta continuava tendo exatamente a mesma resposta.
— Porque eu precisava descobrir se aquilo que aconteceu naquele elevador tinha acontecido só comigo — respondeu André, acariciando distraidamente a lateral da cintura dela com o polegar.
O sorriso desapareceu devagar dos lábios de Amanda. Os olhos verdes permaneceram presos aos dele e, por alguns segundos, a brincadeira deu lugar à lembrança daquela sensação que nenhum dos dois esperava encontrar naquele dia.
E a memória voltou.
André saiu da sala de Alex com a cabeça cheia de informações que deveriam ter ocupado toda a sua atenção.
Deveriam.
Mas não ocupavam.
Ao passar pela mesa da secretária, diminuiu o passo. A imagem que insistia em voltar era outra: os olhos verdes de Amanda, os dedos dela tocando os seus quando ambos se abaixaram para pegar o cartão, a mudança quase imperceptível na respiração dela quando ficaram próximos demais e aquele segundo dentro do elevador em que nenhum dos dois pareceu disposto a desviar o olhar.
Um segundo apenas.
André conhecia atração. Conhecia mulheres. Conhecia desejo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Estão faltando vários capítulo. 660, 684, 687 e 688. Vamos ficar perdidas na história....
Que lindos 😭😭🤍🤍🤍...
oiê está faltando o capitulo 560! houve atualização da escritora! poderiam atualizar aqui tbm por favorzinho. kkkk...
acabou o livro? nunca mais saiu nada...
Essa demora para liberar os capítulos é horrível....
Esses livro não acaba mais🤣...
cadeeee os demais capitulos????????????????????????????/...
Onde está o capítulo 660??...
Haaaa, preciso de mais! Por favor....
por favor atualizem! escritora já soltou novos capítulos....