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Segundo Casamento Bem Sucedido romance Capítulo 453

Não era a primeira vez que ela tocava nesse assunto.

Também não era a primeira vez que deixava Felipe um pouco atordoado.

Ele já havia pensado em contar-lhe de maneira direta o real motivo de tudo aquilo, desde o princípio.

Mas, naquele momento, ao vê-la perguntar com tanta clareza, fitando-o com aqueles olhos límpidos e úmidos, ele não sabia como começar.

Seria pretensão demais de sua parte.

Clarissa o encarava, absorta, e seus dedos longos, de repente, se ergueram, aproximando-se devagar, por cima do tecido da roupa, do ponto em seu peito onde ele fora ferido por uma bala. Sua garganta se contraiu em silêncio.

Desde a primeira vez em que soube que ele havia se machucado, esse pensamento havia cruzado a mente de Clarissa, ainda que rapidamente.

No entanto, a postura de Felipe a impedia de se sentir certa quanto a isso.

Chegou até a pensar que estava fantasiando, iludida.

E, se realmente fosse isso, por que ele lhe contaria?

Por que não lhe disse antes?

Em qualquer momento, ele poderia ter contado com todas as letras.

Ela não teria medo.

Desde que estivesse ao lado dele, desde que ele não a abandonasse, nada a assustaria.

As palavras chegaram à boca, mas lhe faltou coragem. Porém, ao lembrar do que Elena lhe dissera, não conseguiu conter o impulso que subia do coração.

Era isso.

O pior que podia acontecer, seria apenas isso.

No máximo, ele a ridicularizaria, dizendo que ela se iludia.

O carro avançava rápido, e a luz que passava entre as copas das árvores desenhava sombras no rosto anguloso do homem. Os dedos de Clarissa repousaram sobre a cicatriz, e ela o encarou de frente. Por fim, deixou escapar a pergunta guardada no peito.

"Naquele ano, foi para me proteger?"

"Felipe, afinal, foi para me proteger?"

A voz da garota era tão suave que, de imediato, se percebia toda a incerteza que carregava.

Felipe não conseguia entender o que ela duvidava.

Achava que aquele motivo era absurdo, ridículo, ou seria outra coisa?

O homem, raramente constrangido, engoliu em seco e sua voz saiu rouca: "Quem te contou isso?"

E, de fato, ela quisera.

A avó jamais concordaria que ela se casasse com uma família tão poderosa quanto a Família Tavares. Foi ela quem arquitetou tudo, pegando a avó de surpresa.

Felipe deu um sorriso de leve. "Quis? Você gosta do Victor?"

Aquele sorriso atingiu o ponto mais sensível e defensivo do coração de Clarissa.

Sem pensar, ela rebateu: "É claro que eu gosto dele, gosto demais!"

Felipe imediatamente fechou a expressão, decidido a não concordar de jeito nenhum.

No fim, disse algo que ela nunca esqueceu:

"Gabi, se você quer casar, o irmão pode..."

Clarissa achou que ele iria sugerir que ela se casasse com alguém escolhido por ele.

Mas, antes que ele terminasse a frase, ela destravou a porta do carro à força e saltou.

Ela jamais deixaria que alguém, que não cuidara dela por cinco anos inteiros, decidisse seu casamento.

Foi casando-se com Victor que tentou provar a si mesma que ainda restava um pouco de liberdade.

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