Ela queria muito dizer para ele: "Felipe, então eu nunca tive pai nem mãe."
Não, não era isso.
Na verdade, era: "Todos esses anos, vivi usando a identidade de outra pessoa."
Até o nome Clarissa não era realmente dela.
Ela nem sabia quem era de verdade.
Felipe baixou os olhos e, ao encará-la, encontrou o olhar dela, um pouco perdido e um pouco magoado, fixo nele.
O coração dele amoleceu; conteve o impulso de beijá-la, apoiou uma mão na cintura dela e, com a outra, ajeitou uma mecha solta atrás da orelha dela. Inclinou-se ligeiramente, com a voz grave e suave, perguntando com ternura: "O que aconteceu? Falaram mal de você na internet e você ficou chateada?"
Se alguém de fora visse o jeito dele agora, com certeza acharia que estava vendo um fantasma.
Mas Clarissa já tinha visto esse lado dele incontáveis vezes.
Sempre que ela ficava triste, era assim que ele perguntava, paciente e atencioso.
Todas as emoções dela, ele nunca achou que fossem exageradas ou sem motivo; antes de realmente se afastarem, ele sempre respeitou e acolheu cada sentimento dela.
Naquele momento, Clarissa não ficou surpresa. Apenas olhou, atordoada, para o homem à sua frente e perguntou suavemente: "Felipe, me diz… quem sou eu, afinal?"
Foi a primeira vez que Felipe viu aquela expressão de confusão no rosto dela.
Desde pequena, exceto quando se aproveitava do carinho dele, ela sempre soube claramente o que queria fazer, o que podia fazer e o que devia fazer.
Essa pergunta, então, também deixou Felipe surpreso.
Os dedos dele, que ajeitavam o cabelo dela, pararam por um instante; a sobrancelha arqueou levemente, e ele respondeu, meio despreocupado, meio sério: "É minha irmãzinha."
"…"
Clarissa ficou sem palavras e tentou se levantar.
A força na mão de Felipe não diminuiu nem um pouco; ele a segurou firmemente, os olhos negros e profundos fitando-a diretamente. "Não importa quem você é."
"O que importa é que você é você."
Clarissa ficou paralisada.
Ela também parou de se mexer, levantou a cabeça devagar para olhá-lo, os olhos já marejados, e perguntou, sem rodeios: "Ser eu mesma… já é o suficiente?"
Essa era uma resposta que ela nunca tinha considerado todos esses dias.
Ela sempre ficou presa na dúvida de quem realmente era.
A voz impaciente da garota soou, e só então Felipe voltou um pouco a si; apertou levemente a mão na cintura dela, provocando: "Mas eu já estou te abraçando, não estou?"
Clarissa, obviamente, sabia que estava sentada no colo dele esse tempo todo.
Sempre nos braços dele.
Ela também sabia que ele estava apenas brincando.
Mas, naquele momento, ela só queria muito, muito… ser abraçada forte por ele.
Um abraço só.
Se não fosse para abraçar, tudo bem também.
Ela fez menção de se levantar, e o homem nem tentou impedir, a pressão na cintura diminuiu.
Quanto mais Clarissa pensava, mais vergonha sentia.
Finalmente, quando resolveu ceder um pouco, foi rejeitada assim.
Quando seus pés tocaram o chão, ela ficou tão sem graça que as orelhas esquentaram, querendo sair correndo dali. Mas, de repente, seu dedo mínimo foi suavemente puxado por alguém.

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