Os outros não viram o identificador de chamadas, mas Elena, sentada ao lado de Nélia, percebeu imediatamente.
Desde que Nélia e Ivo assinaram o acordo de divórcio, quase não tiveram mais nenhum contato particular.
Aquela ligação, com toda certeza, era sobre o resultado do teste de DNA.
Nélia também percebeu que sua mãe estava visivelmente tensa; enquanto pegava o celular e se levantava, deu um tapinha tranquilizador nas costas de Elena. "Vou atender."
Nem Elena, nem Nélia conseguiam esconder o turbilhão de emoções.
Gabriela era a Sófia...
Para todos da família, aquilo era difícil de aceitar.
Na verdade, era a primeira vez que a Família Torres torcia para que o resultado estivesse errado, esperando que a verdadeira Sófia ainda estivesse por aí, esperando por eles, esperando para ser trazida de volta para casa.
Nélia foi para o quintal dos fundos e atendeu, sem cumprimentos, indo direto ao ponto: "O resultado saiu?"
Ela sempre fora assim.
Durante os anos de casamento, mantinha-se calma e reservada.
Exceto com a família, era raro alguém perceber seu lado mais suave.
Ivo não se surpreendeu e respondeu com a mesma formalidade: "Sim."
"Vou te mandar a versão eletrônica agora pelo WhatsApp."
"Certo."
Nélia respondeu com frieza na voz: "Então, é só isso por enquanto."
Assim que terminou de falar, desligou imediatamente.
Ivo ficou um instante parado, olhando para a tela do celular já sem a ligação, um leve traço de resignação nos olhos. Entrou na conversa com ela e enviou o resultado do teste de DNA.
[Pequena Íris, parabéns para vocês.]
Ele sabia o quanto a Família Torres desejava reencontrar sua querida menina.
Ao receber a mensagem, Nélia, ao ler aquelas palavras, hesitou por um momento. Ainda não tinha aberto o resultado, mas seu coração já parecia ter morrido pela metade.
Sem se dar por vencida, abriu o arquivo. No rosto, geralmente inexpressivo, surgiu uma calma quase antinatural.
— Confirmado que Elena é a mãe biológica de Gabriela.
"... O teste de DNA confirmou."
Nélia não tinha como esconder algo tão grande, mas, mudando o tom, disse: "Mas acho precipitado fazer só um teste. Quando o caso se encerrar, é bom fazer outro, só para confirmar."
Mariana sentiu o coração apertar e apressou-se: "Irmã, não acha que isso vai magoar a Sófia? Ela ficou tanto tempo longe de casa, e agora que voltou, vamos duvidar dela de novo?"
Nélia lançou-lhe um olhar frio, a pouca dúvida em seus olhos bem disfarçada. "Por isso mesmo, é para fazer quando surgir uma oportunidade."
Quando surgir uma oportunidade.
O que queria dizer?
Significava fazer o teste sem que Gabriela soubesse de nada.
Se o laço de sangue fosse genuíno, não haveria erro, nem mágoas.
Mas Mariana ficou ainda mais nervosa; desse jeito, aquela tola da Gabriela não teria como se defender.
Afinal, como Gabriela poderia se comparar, em astúcia e habilidades, com Nélia, uma mulher que já tão jovem se destacava na política?
"Mas... não é certo, né? Se a Sófia descobrir, não vai ficar ainda mais..."

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