Desde o dia em que Patrícia deixou o acordo de divórcio na mesa, ela não conseguia parar de pensar em como Heitor reagiria a ele.
Afinal, em comparação com um possível litígio que poderia terminar com metade dos bens dele sendo divididos, a proposta no acordo era extremamente vantajosa para Heitor. Além disso, o documento havia sido pensado de forma a não impactar os negócios do grupo empresarial dele.
Um divórcio sigiloso. Heitor não carregaria o peso de um escândalo público.
Patrícia tinha certeza de que isso era o que ele mais valorizava. Agora, não tinha dúvidas de que ele concordaria.
Quando Patrícia finalmente perguntou diretamente se ele realmente aceitava o divórcio, a voz de Heitor soou grave e controlada:
— São apenas dez por cento das ações, não é? Eu te dou. Amanhã mesmo transfiro cinco por cento. E os outros cinco por cento...
— Quando você vai me dar? — Patrícia interrompeu.
— Se você não pedir o divórcio nos próximos dois anos, eu te dou os outros cinco por cento.
Patrícia o encarou, confusa, sentindo que ele estava começando a delirar:
— Estou falando dos termos do acordo de divórcio e da divisão de bens. Do que exatamente você está falando?
Heitor se aproximou um pouco mais e respondeu com firmeza:
— Estou falando que você pode ter o que quiser. Tudo. Desde que você não se divorcie de mim.
Patrícia recostou-se no sofá, sua voz saindo baixa e rouca, como se carregasse o peso de todas as mágoas acumuladas:
— Eu quero o divórcio. A humilhação que você me fez passar com a sua traição vai me acompanhar para o resto da vida. Não ache que o tempo vai apagar isso. Cada vez que penso em você e Tábata, sinto nojo. Nosso casamento acabou.
Heitor olhou diretamente para ela, seu olhar carregado de emoção:
— Patrícia, eu sei que Tábata foi uma intrusa na nossa relação. Mas eu nunca a amei. Eu sei que fui um canalha, mas, Patrícia, eu nunca te traí.
Heitor já havia considerado inúmeras vezes contar toda a verdade para Patrícia. Mas ele sempre recuava, com medo de como ela o veria depois disso.

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