Patrícia não estava acostumada com tanta proximidade entre ela e Heitor.
Ela tentou se levantar discretamente, mas assim que a ponta do pé tocou o chão, Heitor a puxou de volta, segurando-a firmemente contra o peito dele. O rosto dela, branco como porcelana, encostou-se ao peito morno de Heitor, enquanto ouvia o som constante das batidas de seu coração.
O corpo dele era surpreendentemente confortável. Os músculos, embora firmes, tinham uma textura acolhedora. Mas Patrícia não conseguia esquecer o que ele havia dito a Tábata no dia anterior: a promessa de levá-la a um médico.
“Ele pode ter muitas qualidades.” Pensou Patrícia. “Mas no fundo, ele está podre.”
Deitada contra o peito dele, Patrícia murmurou baixinho:
— Preciso me levantar.
Heitor abaixou o olhar para ela, seus olhos profundos e intensos. No momento seguinte, ele a pressionou contra o colchão, cobrindo-a com seu corpo, e a beijou com uma paixão quase desesperada, como se aquele fosse o último beijo que jamais compartilhariam.
Os dois só foram interrompidos por uma batida na porta:
— Senhor, Sra. Diana chegou.
Heitor, ainda sobre Patrícia, parecia prestes a ignorar a interrupção. Seus músculos estavam tensionados, como a corda de um arco prestes a disparar. Ele respondeu com a voz rouca:
— Entendido.
Depois, ele mordeu levemente os lábios, se forçando a parar, levantou-se e caminhou em direção ao banheiro. Ele abriu o chuveiro e deixou a água fria cair sobre seu corpo, tentando recuperar o controle.
Alguns minutos depois, Heitor apareceu na sala de estar com Patrícia ao seu lado.
— Mamãe! — Disse Patrícia, ao ver Diana.
Heitor explicou em um tom baixo:
— Preciso ir ao grupo resolver algumas coisas hoje. Não quero que você fique entediada, por coincidência, mamãe disse que quer vir te ver.
Diana segurou o pulso de Patrícia, observando atentamente suas mãos, e suspirou com pesar:
— Patrícia, como você conseguiu se machucar assim? A recuperação deve estar sendo muito dolorosa, não é?
Era quase como se Diana pudesse sentir a dor de Patrícia. Ela, então, levantou o pé e deu um chute firme na perna de Heitor:
Mas Diana foi firme e não aceitou a recusa:
— São presentes meus para você. Aceite. Além disso, como sua sogra, é mais do que minha obrigação te presentear.
Ela pegou as mãos de Patrícia entre as suas e continuou:
— Sei que Heitor te decepcionou. Considere estas joias como uma forma de compensação. Aquela mulher horrível machucou suas mãos, e só de olhar para isso, meu coração se parte. Nem consigo imaginar o quanto sua mãe ficaria arrasada se visse. Eu prometi a ela, quando você se casou com Heitor, que cuidaria para que você fosse feliz e segura. Falhei com você.
Diana continuou falando, claramente se culpando.
Patrícia, no entanto, nunca havia contado nada disso a Vanessa, nem ao irmão e à cunhada. Ela achava que já havia superado a situação e não queria que sua família se preocupasse ou ficasse com raiva.
“Feliz e segura?” Pensou Patrícia, com um sorriso amargo enquanto olhava para suas mãos. “Heitor já me proporcionou algum momento de segurança ou felicidade?”
Enquanto ela refletia, o celular de Diana tocou. Era uma nova mensagem. Diana olhou para a tela, franziu levemente as sobrancelhas, mas logo sorriu a Patrícia novamente:
— Faz muito tempo que não me envolvo com os assuntos do grupo. Mas, enquanto Heitor esteve fora do país, fui até lá e ouvi algumas coisas que não soaram muito bem. Não se preocupe, Patrícia. Hoje estou aqui para ajudar a limpar seu nome.

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