— Me dar a chance de te amar é o maior presente de Deus para mim. — Murmurou Heitor.
...
Naquela noite, Hana foi liberada sob fiança e voltou para casa. Assim que chegou, ela pegou seu celular.
Uma mensagem de vídeo enviada por um detetive particular estava à sua espera. Ele havia subornado uma enfermeira do hospital psiquiátrico por um alto preço para obter aquelas imagens.
Hana abriu o vídeo. Sua Tábata, a filha que ela tratava como a joia mais preciosa, estava vestida com o uniforme de paciente psiquiátrica. Havia uma grande mancha de sangue na parte de trás de sua roupa, indicando claramente que ela tinha perdido o bebê. O rosto de Tábata estava pálido como papel, coberto de lágrimas.
No vídeo, algumas pacientes psiquiátricas estavam montadas sobre ela, espancando-a sem piedade. Os braços expostos de Tábata estavam cheios de hematomas, e ela gritava de dor, soluçando sem parar.
Hana imediatamente entendeu o que havia acontecido. Depois que a verdade veio à tona, Heitor não só passou a desprezar Tábata, como também foi cruel o suficiente para interná-la à força em um hospital psiquiátrico. Ele obviamente havia permitido o "tratamento especial" que Tábata estava recebendo lá. Nem mesmo o aborto foi motivo para que alguém a ajudasse. Para Hana, estava claro que Heitor havia consentido com tudo.
Tomada pela raiva, Hana gritou a plenos pulmões, arremessando todos os vasos da sala contra as paredes. Ela quis ligar para Heitor e confrontá-lo, exigir explicações sobre tamanha crueldade, mas, quando discou seu número, ela ouviu apenas o sinal de ocupado.
Desesperada, Hana deixou o celular cair no chão e se sentou pesadamente.
Sua Tábata, sua filha, criada com todo o cuidado e dedicação, estava sendo tratada daquela forma. Como mãe, ela sentia cada golpe que Tábata recebia. Mas Hana estava com as mãos atadas. Acusada em um processo judicial, ela sequer tinha permissão para deixar o país. E, mesmo que pudesse, o poder de Heitor era tão grande que ela não teria chance alguma contra ele. Hana precisava arranjar alguém com ainda mais poder.
Tremendo, Hana pegou o celular novamente e enviou o vídeo de Tábata sendo maltratada para Rui.
Rui respondeu imediatamente, perguntando o que havia acontecido.
Hana soluçava baixinho. A essa altura, ela já sabia que não conseguiria inventar uma mentira que Rui não fosse capaz de desmascarar. Se tentasse construir uma história e fosse pega, isso só pioraria sua situação. Portanto, Hana percebeu que precisava contar tudo, mas de uma maneira diferente.
Ela decidiu recorrer a uma estratégia de mentira montada, uma farsa no estilo de montagem cinematográfica. Ao reorganizar a ordem dos acontecimentos ou apresentar apenas partes selecionadas da verdade, Hana poderia manipular a narrativa completa e criar uma versão distorcida dos fatos.

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