Heitor olhou para Patrícia por alguns segundos antes de se levantar. Ele caminhou até o banheiro e tomou um banho rápido de água fria. Quando ele voltou para o quarto, seus cabelos úmidos estavam penteados para trás, revelando sua testa. Suas feições pareciam uma obra de arte perfeitamente esculpida.
De repente, ouviram uma batida na porta. Heitor saiu da cama e foi atender.
Do outro lado, a empregada segurava uma bandeja com uma tigela fumegante:
— Jovem mestre, por favor, peça para a Sra. Patrícia tomar essa sopa enquanto ainda está quente. Faz bem para ajudar na gravidez.
Heitor pegou a tigela, fechou a porta sem dizer nada e caminhou até o banheiro. Lá, ele despejou o caldo direto no vaso sanitário. Quando voltou para a cama, ele finalmente falou:
— Eu nunca te traí. E não fui eu quem colocou Tábata no grupo.
Patrícia permaneceu em silêncio, sem demonstrar qualquer reação. Não havia nada naquela explicação que pudesse abalar sua indiferença.
Heitor insistiu, a voz começando a carregar um tom de irritação:
— Ficar comigo é tão insuportável assim? Eu já disse, não tenho nada com Tábata e nunca terei. Ou será que tudo isso é só uma desculpa sua para procurar outro homem?
Patrícia, com os olhos fixos nele, finalmente respondeu:
— Nada com ela? Então por que ela teve um filho seu?
Heitor parecia ter levado uma facada. Ele desviou o olhar, a voz vacilando:
— Esse assunto já passou. Podemos não falar mais disso? Eu não quero discutir isso agora.
Era sempre assim. Sempre que o assunto do filho surgia, Heitor evitava a qualquer custo.
Nesse momento, o celular dele começou a tocar, quebrando o silêncio desconfortável. Ele pegou o aparelho para olhar, e seu rosto mudou ligeiramente.
Patrícia, curiosa, inclinou a cabeça para tentar ver a tela. O nome [Tábata] apareceu, e isso foi como uma facada em seu estômago. Seu corpo reagiu com um espasmo involuntário, e ela soltou, com sarcasmo:
— Por que não atende? Sua querida mãe do seu filho está te ligando.
Heitor ficou visivelmente desconfortável. Ele apagou a tela do celular, deixando o aparelho tocar até a ligação cair. Em seguida, ele jogou o celular no criado-mudo com força.
— Satisfeita, Sra. Mendes? — Perguntou ele, com um tom ácido.
Mal terminou de falar, o celular voltou a tocar. O som ecoou pelo quarto como um lembrete incômodo.
Heitor ignorou o toque, mas quando a chamada parou, ele repetiu, com frieza:
— Sra. Mendes, agora você está satisfeita?
Patrícia abriu a boca para responder, mas Heitor a interrompeu com uma frase ainda mais cruel:
— Se você não conseguir encontrar falhas em mim, vai perder suas chances de sair com Marcelo, não é?
Ela começou a chorar silenciosamente, as lágrimas escorrendo sem controle.
Heitor, encostando a cabeça atrás da orelha dela, murmurou com suavidade:
— Sim, eu errei. Mas será que você não pode me dar uma segunda chance? Só uma vez, me perdoa.
O coração de Patrícia quase cedeu. Ela queria desesperadamente que tudo aquilo nunca tivesse acontecido. ela queria apagar a dor que parecia consumir sua alma.
Depois de um momento, ela respondeu:
— Quer o meu perdão? Então me prometa que nunca mais verá Tábata.
A respiração de Heitor estava próxima ao ouvido dela quando ele respondeu:
— Eu não posso prometer isso.
Antes que Patrícia pudesse reagir, o som do celular voltou a romper o silêncio.
Heitor virou a cabeça e, pelo canto do olho, viu o número no visor. De repente, ele soltou Patrícia, sentou-se, vestiu uma camisa às pressas e saiu do quarto com o celular para atender a ligação. Depois de algum tempo, ele voltou:
— Tábata tentou se suicidar. Preciso ir. Você pode ficar e dormir.

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