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Sem Toque, Um Amor Desperdiçado romance Capítulo 187

Patrícia não disse o que queria comer. Talvez o beijo de pouco antes tivesse mexido demais com ela. Ela olhou para Heitor e respondeu.

— Qualquer coisa serve.

Depois, ela respirou fundo e avisou:

— Eu vou tomar um banho primeiro.

— Tá bom. — Disse Heitor.

Só então ele a soltou, a contragosto. Ele sabia que ela já estava excitada. Eles se conheciam demais naquilo, e ele sabia ler cada reação dela.

Antes, os dois se encaixavam muito bem na cama. Mesmo que quase sempre fosse Heitor quem tomasse a iniciativa, sob o comando dele Patrícia se transformava: deixava de lado a frieza e a elegância de sempre e virava uma mulher intensa, ardente.

Naquela noite, a resposta do corpo dela tinha sido clara: ela também queria.

E não tinha sido só ele, naquele escritório, que tinha ficado com a sensação de desejo interrompido.

Patrícia colocou o celular para carregar, entrou no chuveiro e tomou um banho demorado, deixando a água levar o cheiro da igreja, da confusão, das humilhações. Quando ela saiu, a mesa de jantar já estava cheia de pratos do jeito que ela gostava.

— Vem comer. — Chamou Heitor.

Os dois se sentaram. Heitor começou a servir o prato dela.

Patrícia estava realmente com fome. Eles comeram quase tudo. Quando a refeição já estava no fim, Heitor puxou outro assunto:

— Eu tô indo lá fora resolver isso também pra abrir o caminho pro seu irmão. O que eu tenho são ações. Em tese, eu não precisava me envolver na gestão.

Ele parecia querer um pouco de reconhecimento.

Patrícia apenas respondeu, de forma neutra:

— Eu sei.

Ele continuou:

— O que eu tô querendo dizer é que, enquanto eu estiver fora, o grupo aqui no Brasil vai ficar sem comando direto por um tempo.

Então, ele foi direto ao ponto:

— Eu queria te transferir pra cá, pro Brasil. Quero que você assume como CEO do Grupo Mendes no país.

Patrícia hesitou:

— Mas eu…

De repente, Heitor ergueu a mão e segurou o pulso dela:

— Me diz uma coisa: eu sou importante pra você?

Ele tinha uma vontade desesperada de ouvir que sim. Nem precisava ser como homem amado. Bastava ser importante. Em três anos de casamento, a parceria dos dois tinha sido quase perfeita. Ela criava as joias, ele fazia com que fossem um sucesso de vendas no mundo inteiro. Quando ela quis entrar de verdade na gestão, ele abriu espaço, ensinou, guiou, ensinou como ser eficiente.

Patrícia quase admitiu que já não via Heitor da mesma forma de antes, que alguma coisa dentro dela tinha cedido. Mas o medo de ele voltar a ser quem tinha sido a paralisou.

No auge do amor que sentia por ele, ela já tinha cogitado perdoar tudo, contanto que ele cortasse de vez Tábata da vida dele.

Ela não queria voltar a ser a mulher que perde o respeito próprio.

Patrícia puxou o braço de volta:

— Não. Você não é importante.

A frustração brilhou por um segundo no olhar de Heitor. Ele riu, abafando o golpe, e comentou:

— Não tem problema, Patrícia. Eu vou dar um jeito de provar que sou importante.

Ele sabia que, enquanto conseguisse colocar nas mãos de Patrícia tudo aquilo que ela queria conquistar, o laço entre eles jamais se romperia de verdade.

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