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Sem Toque, Um Amor Desperdiçado romance Capítulo 194

Heitor não recuou um centímetro:

— Para de fingir, Hana. Ontem mesmo você tava trepando com o seu próprio genro, e hoje vem pousar aqui de mulher apaixonada pelo Pai?

O rosto de Hana ficou vermelho na hora. Ele tinha acertado em cheio:

— Você…

— Quer que eu coloque o vídeo pra rodar de novo pra você relembrar os melhores momentos? — Cortou Heitor.

Depois de jogar aquilo no ar, Heitor prestou atenção em Sandro. O que mais o chocou foi perceber que o velho não demonstrou surpresa alguma. Em vez disso, lançou para Heitor um olhar de ódio, como se fosse ele o grande culpado de alguma coisa.

Heitor devolveu o olhar com frieza:

— O senhor é o avô da Patrícia, não é? O senhor disse que ela é inútil. Ela é CEO de um grupo que vale bilhões, e o senhor tem quanto, exatamente, pra chamar ela de inútil? Se tem alguém inútil aqui, são as duas mulheres do seu lado. Essas sim são as mais inúteis, as mais baratas. No popular? As maiores vagabundas dessa sala.

— Seu…! — Hana entendeu muito bem quem eram "as duas": ela e Tábata.

Os olhos de Tábata se encheram de lágrimas. Não importava quantas vezes ela lançasse olhares suplicantes para Heitor, ele nunca respondia. Mas bastava alguém diminuir Patrícia, e ele reagia como um gato com o rabo pisado, pronto para atacar, sem medir as palavras. Até para jogar ela, Tábata, no mesmo saco, chamando‑a de vagabunda, ele não pensava duas vezes.

Sandro, furioso, agarrou a garrafa de café sobre a mesa e a arremessou em direção a Heitor. A força, porém, já não acompanhava a raiva. A garrafa caiu no meio da sala de espera com um estrondo surdo. O velho ainda gritou, a voz rouca:

— Seu cachorro ordinário! Eu mandei você sair. Por que é que você ainda tá aqui?

Heitor se abaixou, com calma, apanhou a garrafa:

— Eu ainda nem tive a chance de servir o seu café.

Em seguida, ele arremessou de volta.

O líquido quente espirrou no rosto de Sandro. A sala inteira ficou em choque.

Sobretudo Vanessa e Patrícia. Elas jamais imaginaram que Heitor fosse cruzar um limite daquele tamanho. Vanessa viera de uma família tradicional, educada desde criança a respeitar os mais velhos. Por mais defeitos que Sandro tivesse, ele ainda era o sogro dela.

Hana se apressou em limpar o rosto do velho, usando guardanapos, lenços, o que encontrou à frente. A pele enrugada de Sandro, cheia de dobras, pareceu ainda mais parecida com casca de árvore ressecada. Naquela idade, ser humilhado daquele jeito pelo marido da neta diante de todos o fez tremer de tanta raiva.

Sandro deixou que Hana terminasse de limpar o rosto dele, resmungou um "hm" em resposta a Ademir e, em seguida, falou com frieza para Hana:

— Agora que tá todo mundo aqui, manda o advogado entrar e ler o testamento.

Vanessa levou um susto:

— Como assim?

Nem Ademir sabia que havia um testamento nas mãos de Hana. Ele ficou imóvel, sem reação.

Patrícia trocou um olhar rápido com o irmão. Eles tinham ouvido de Vanessa, antes, que o pai já tinha deixado um testamento pronto. Nele, os beneficiários eram eles dois, a própria Vanessa e Sandro. Não havia menção nenhuma a Hana, nem às três crianças que Rui tinha tido fora do casamento.

A voz de Sandro, áspera e gelada, cortou o silêncio:

— Você não é da família Vieira, Vanessa. Eu sempre tive que me precaver. Por isso, eu mandei o Rui reconhecer, lá fora, um testamento de verdade. Aquele sim é o que ele queria.

— O quê? — Vanessa sentiu as pernas fraquejarem. As lágrimas começaram a cair como chuva.

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